Google Phone

Se os boatos estiverem corretos, amanhã, 05/01/2010, será o dia em que o Google irá anunciar oficialmente o seu Google Phone. Na verdade, ele não terá esse nome. De acordo com as especulações, o aparelho se chamará Nexus One, será fabricado pela HTC e virá com o Android, o sistema operacional open source do Google para dispositivos móveis. O preço do aparelho desbloqueado deverá ser de US$ 530 nos EUA, ou de US$ 180 se for adquirido em conjunto a contratação de um plano da operadora T-Mobile (o que só faz sentido para quem mora lá). Aparentemente, o Google irá vender o aparelho também em outros países, mas para isso será cobrada uma taxa adicional que, no caso do Brasil, especula-se ser de US$ 209 (se quiser saber mais sobre a taxa, leia Nexus One: Bad news for international users).

Pelo que se tem falado, o aparelho não trará nenhuma grande inovação que cause impacto (aliás, depois do iPhone, vai demorar para aparecer algo que provoque tanto impacto). Ele é muito semelhante a um outro modelo já comercializado pela própria HTC (a possível configuração do aparelho pode ser encontrada em Exclusive: Nexus One full specs detailed, invite-only retail sales starting January 5th?). Parece que a grande novidade mesmo será a marca do Google que o aparelho terá, o que, diga-se de passagem, não é pouca coisa. Já que aparentemente não haverá grandes inovações, o que se pode concluir desse lançamento? Acredito que podemos chegar às seguintes conclusões:

  • Tudo que o Google faz gera muito falatório, o que acaba atraindo muita atenção. Tomando como exemplo o Nexus One, o produto ainda nem foi lançado e já existem dezenas de avaliações do mesmo. Inclusive já existem vários vídeos no YouTube demonstrando-o. Na minha opinião, o Google não quer se tornar uma empresa de hardware. O que ele quer é difundir o Android e, para isso, nada melhor do que se aproveitar dessa exposição gratuita que envolve tudo que o Google faz e lançar um produto com sua marca (e reputação) para demonstrar as vantagens de sua plataforma. Aparelhos com Android começaram a aparecer com mais força em 2009 e, provavelmente, 2010 será o ano no qual veremos uma avalanche de lançamentos de celulares com Android. O Nexus One é só a ponta do iceberg;
  • Não é novidade para ninguém que o Google quer estimular cada vez mais o uso de aplicações através da Internet, tirando o foco do PC e, conseqüentemente, do sistema operacional (leia-se Windows). É assim com seu carro-chefe (o sistema de buscas), com os aplicativos do Google Docs, com o Chrome OS (o sistema operacional para netbooks, que nada mais é do que uma versão do Linux cuja única aplicação é o browser Chrome, através do qual se tem acesso às aplicações na nuvem) e também será assim com os dispositivos móveis rodando Android. O importante não será o aparelho utilizado e sim o acesso a Internet para executar as aplicações que lá ficam. É a materialização da essência do conceito de Network Computer criado por Larry Ellison, CEO da Oracle, em 1995, e que na época não avançou pois as condições necessárias ainda não existiam ou eram muito precárias (uma idéia a frente do seu tempo);
  • Através do Android, o Google quer estabelecer uma plataforma única de desenvolvimento e execução de aplicações para dispositivos móveis independente de fabricantes. Um dos grandes problemas no desenvolvimento para dispositivos móveis é que cada fabricante possui sua plataforma/sistema operacional, fazendo com que a aplicação tenha que ser desenvolvida para cada tipo de aparelho. Dá para perceber que isso implica em problemas como gerenciamento e manutenção de várias versões de aplicativos. Uma grande esperança para resolver esse problema era o Java, com o seu lema "Escreva uma vez, rode em qualquer lugar". Na teoria, uma única aplicação Java rodaria em qualquer plataforma que suportasse a JVM - Java Virtual Machine, sem a necesseidade de ser reescrita. Na prática, não foi exatamente isso que ocorreu, pois cada plataforma tem suas características que acabam criando algum nível de incompatibilidade. Se o Google conseguir estabelecer sua plataforma como a padrão para dispositivos móveis (o que não é uma tarefa fácil), terá sido um grande passo para resolver esses problemas. Há duas alternativas para isso: convencer os fabricantes a aderirem a sua proposta e/ou conseguir uma aceitação tão grande por parte dos usuários e do mercado ao ponto do Android se tornar um padrão de fato e passar a ser escolhido sem que haja dúvidas ou questionamentos;
  • Mobilidade, ou melhor, acesso a Internet móvel, definitivamente, é um assunto que veio para ficar e a tendência é que se torne cada vez mais importante. É o campo em que há mais expectativa de crescimento (e oportunidades de negócios) nos próximos anos. Se considerarmos o Brasil, podemos perceber que o potencial é enorme, já que aqui a penetração de celulares é muito grande se comparada ao mercado de PCs (ainda que a infra-estrutura oferecida seja extremamente precária para aquilo que se deseja). O Gartner recentemente divulgou um estudo sobre as tendências de mobilidade para 2012. Tem muita coisa interessante lá e que não está muito longe de acontecer. Sugiro fortemente que a leitura do conteúdo. Outro estudo que vale a pena ser lido sobre o assunto é o do Morgan Stanley. Segundo ele, estamos no quinto maior ciclo da computação: o primeiro foi o dos Mainframes, o segundo foi o dos mini-computadores, o terceiro foi o dos PCs, o quarto foi o da Internet no desktop e o quinto seria o da Internet móvel. Como se percebe, esse é um dos principais assuntos do momento. Agora, se misturarmos a mobilidade com outros temas quentes como redes sociais, já imaginou o que vem por aí?

Ricardo Oneda.

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