jQuery e Microsoft

A notícia é um pouco antiga, mas como vi pouca repercursão, acredito que vale a pena escrever a respeito. No último evento MIX, que aconteceu em março de 2010, um dos anúncios feitos foi o da Microsoft eleger o jQuery como a principal tecnologia de client-side script para aplicações ASP.NET. Desde 2008, o jQuery já é suportado oficialmente pela Microsoft. O que muda com o anúncio feito no MIX é que agora a Microsoft vai investir tempo e dinheiro para contribuir com propostas para o projeto open-source, assim como qualquer pessoa ou empresa pode fazer. Claro que essas contribuições não servirão somente para aplicações desenvolvidas com tecnologias Microsoft, mas sim para qualquer plataforma tecnlógica que venha a fazer uso do jQuery (PHP, Java, Ruby, etc).

Você pode estar se perguntando: o que acontecerá com o ASP.NET Ajax Library e com o Ajax Control Toolkit? Com a palavra, Stephen Walther, um Program Manager do time de ASP.NET:

 

"(...) We realize that the Ajax Control Toolkit is extremely popular among ASP.NET Web Forms developers and we want to continue to invest in the Ajax Control Toolkit.

If you are adding JavaScript interactivity to an ASP.NET Web Forms application, and you don’t want to write JavaScript, then we recommend that you use the server controls in the Ajax Control Toolkit. Using the Ajax Control Toolkit does not require knowledge of JavaScript and the toolkit enables you to build applications with the concepts familiar to ASP.NET Web Forms applications developers.

If, however, you are interested in creating client-side interactivity without server controls then we recommend that you use jQuery.

(...)

We are moving the ASP.NET Ajax Library into the Ajax Control Toolkit. If you currently use ASP.NET Ajax Library client templates, client data-binding, or the client script loader then you can continue to use these features by downloading the Ajax Control Toolkit.

Be aware that our focus with the Ajax Control Toolkit is server-side Ajax.  For client-side Ajax, we are shifting our focus to jQuery. For example, if you have been using ASP.NET Ajax Library client templates then we recommend that you shift to using jQuery instead. "

O que, numa livre tradução, quer dizer:

 

"(...) Nós reconhecemos que o Ajax Control Toolkit é extremamente popular entre os desenvolvedores ASP.NET que utilizam Web Forms e nós queremos continuar a investir no Ajax Control Toolkit.

Se você está adicionando interatividade com Javascript em uma aplicação ASP.NET Web Forms e você não quer escrever código Javascript, então nós recomendamos que você use os server controls do Ajax Control Toolkit. Usar o Ajax Control Toolkit não exige conhecimento de Javascript e ele permite que você construa aplicações através de conceitos familiares aos desenvolvedores ASP.NET que utilizam Web Forms.

Entretanto, se você está interessado em criar interatividade do lado cliente sem server controls, então nós recomendamos que você use jQuery.

(...)

Nós estamos movendo o ASP.NET Ajax Library para dentro do Ajax Control Toolkit. Se você usa atualmente client templates, client data-binding, ou o client script loader do ASP.NET Ajax Library, então você pode continuar a usar essas funcionalidades fazendo o download do Ajax Control Toolkit.

Esteja ciente de que nosso foco com o Ajax Control Toolkit é Ajax do lado servidor. Para Ajax do lado cliente, nós estamos mudando nosso foco para jQuery. Por exemplo, se você usa cliente templates do ASP.NET Ajax Library, nós recomendamos que você mude para jQuery."

 

O texto completo, de onde retirei o trecho acima, pode ser encontrado em Microsoft, jQuery, and Templating.

Economia e software livre

Você já deve ter se perguntado por que grandes corporações como IBM apóiam tanto as iniciativas open-source, já que elas não vão ganhar dinheiro com a venda deste tipo de software. Será porque essas corporações ficaram boazinhas e perceberam que lucro não é a coisa mais importante? Ou porque querem possibilitar que as pessoas de países mais pobres tenham acesso à tecnologia? Ou então, talvez, elas tenham percebido as virtudes por trás dos princípios que regem o mundo do software livre? Na verdade, pode ser que elas tenham se unido com a comunidade open-source com um objetivo nobre: enfrentar a personificação do mal na terra, ou seja, a Microsoft?

Claro que as razões não são nenhuma dessas. Apesar de não ganharem dinheiro diretamente com a venda de software, elas acabam ganhando em serviços e outras atividades. Isso é um consenso, mas, até outro dia, nunca havia lido nada que expusesse isso de forma tão clara e didática. O mais interessante é que o texto utiliza teorias econômicas (básicas) para explicar esse fenômeno, e mostra um alto grau de racionalidade por trás dessas decisões (bem, nem tão racional assim, como fica claro no caso da Sun). Recomendo a leitura do texto para quem tem interesse no assunto.

Linux: o tiro que pode sair pela culatra

Outro dia, estava lendo uma notícia que dizia que, dos computadores vendidos com o sistema operacional Linux, somente 25% permaneceram com o sistema. Os demais 75% tiveram o sistema trocado para Windows em até três meses após a compra do computador. Pois bem, fui testemunha deste fato.

Uma família que conheço adquiriu recentemente um computador. Como eles se enquadram na categoria de usuários, ou seja, não conhecem detalhes técnicos de informática, estavam tendo alguns problemas com a instalação e me pediram uma ajuda. Ao chegar na casa deles, deparei-me com uma tela com a mensagem de erro e o prompt do sistema operacional, solicitando a senha do usuário root. Nesse momento, percebi que se tratava de um computador rodando Linux. O problema estava ocorrendo porque tentaram instalar um aplicativo Windows no Linux. Como Linux não é a minha praia, resolvi reinstalar o sistema pelo CD de recuperação que veio junto com o computador. O processo de instalação, ao contrário do que esperava, mostrou-se extremamente fácil e rápido, e logo o computador já estava funcionando. Expliquei para eles  que, como o computador rodava Linux, não seria possível executar aplicativos Windows nele. As versões para Linux dos softwares deveriam ser adquiridas e então instaladas. Aí que começaram os problemas, já que os aplicativos que eles queriam instalar eram todos para Windows. Internet? Sem chance, já que o discador que eles tinham era para Windows. Nem a multifuncional que compraram poderia ser instalada, já que só havia drivers para Windows. Para resumir a história, no final, eles já estavam decididos que iriam instalar o Windows.

Imaginem a quantidade de pessoas que não entendem detalhes técnicos de informática e que acabam se frustrando por causa de acontecimentos como esse. Atraídas pelo preço mais baixo, acabam comprando gato por lebre, já que não sabem quais as implicações de se adquirir um computador com Linux ou com Windows, afinal, o que elas querem é ligar e usar, sem se preocupar com detalhes, código-fonte, etc. Uma iniciativa cuja intenção é nobre (inclusão digital, maior acesso a informação, etc) acaba criando uma série de problemas. O primeiro é que, na visão dessas pessoas, o Linux é o culpado e ficará com fama de porcaria. Além disso, aposto que, no mínimo, 90% das cópias de Windows instaladas em máquinas que vieram com Linux são piratas. Isso acaba incentivando essa indústria, que por sua vez acaba estimulando uma série de atividades criminais, trazendo problemas sociais e econômicos, sem falar no que o Estado deixa de arrecadar em impostos. Se a pessoa fizer parte da minoria que opta por comprar uma versão original do Windows, ela também acabará pagando mais do que se tivesse comprado o Windows com o computador, já que esta versão vendida junto ao hardware, chamada de OEM, é mais barata que o Windows vendido na prateleira da loja. Enfim, todos perdem.

Como o computador está sendo tratado como eletrodoméstico (o que, na minha opinião e no estágio atual, é uma visão equivocada, mas que tende a se tornar realidade no futuro), as lojas que os vendem deveriam estar mais preparadas para explicar essas diferenças aos seus clientes e suas implicações. Não importa se o cliente quer Windows ou Linux. O que importa é que seja uma decisão consciente. 

Ricardo Oneda.

Microsoft x Open Source: qual é mais seguro?

Não sei quanto a vocês, mas uma das coisas que mais me irritam quando ouço ou vejo discussões sobre o modelo open source versus o modelo proprietário, como o adotado pela Microsoft, é o posicionamento ideológico xiita que algumas pessoas costumam adotar (e isso vale para ambos os lados, ou seja, tanto os defensores do código livre quanto os defensores do código "fechado"), o que acaba prejudicando a imparcialidade, já que aspectos racionais e técnicos acabam ficando de lado.

Acreditar cegamente que o software livre é a solução de todos os problemas e a salvação contra a materialização de todo mal da Terra (também conhecida como Microsoft) é tão ridículo quanto eu dizer aqui que todos softwares open source são uma porcaria e que não vale a pena perdermos tempo com eles, já que só o modelo proprietário é capaz de suprir nossas necessidades.

Um dos pontos mais atacados pelos defensores do código fonte livre é a segurança. Segundo eles, software open source é mais seguro, já que, como o código é aberto, qualquer pessoa pode ter acesso a ele e descobrir (e corrigir) alguma falha de segurança com mais facilidade. Esse raciocínio tem algumas falhas: e quem vai garantir que haverá uma revisão de cada linha de código? E mesmo que haja, quem garante que isso se manterá para sempre? E quem garante que quando uma nova funcionalidade for adicionada ao software também não trará consigo uma falha de segurança, seja por desconhecimento ou incompetência do desenvolvedor? 

Dizer que Unix é mais seguro que Windows (ou vice-versa) é besteira. Não existe esse tipo de coisa quando se comparam plataformas tão maduras assim. O que existe é sistema bem ou mal configurado e administrado. A verdade é que todos os softwares estão sujeitos a falhas e bugs, e isso independe do modelo de licença adotado. Bom, esta é a minha opinião e uma das lições que aprendi no tempo em que trabalhava com segurança. Pois bem, lendo o artigo Microsoft security is nothing to sneeze at, exatamente sobre esse assunto,  o autor expressa tudo o que eu penso a respeito (com mais competência) e vai além, comprovando que software open source não é garantia de software seguro. Vale a pena ser lido. Destaco um trecho abaixo:

Free software proponents often say that open source code review guarantees that open source code will be more secure. Baloney! I love to read code, too, but how many of us have the time to review tens of thousands of lines of code? Plus, the really good people are already working 80 hours a week on projects for their bosses.

Ricardo Oneda.