Surface, o tablet da Microsoft

by Ricardo Oneda 19. junho 2012 23:04

Desde o final da semana passada, quando a Microsoft enviou, para jornalistas que cobrem tecnologia, um convite para um evento que ocorreria em Los Angeles em 19/06/12, muitas especulações surgiram. Isso tudo por causa do clima de mistério criado (influência da Apple?), já que não havia pistas do que seria anunciado e nem mesmo do local exato do evento, que só foi divulgado na manhã do dia em que o mesmo ocorreu. O evento aconteceu e, como muitos esperavam, a Microsoft revelou ao mundo um tablet que vai levar sua marca, chamado Surface (não confundir com o antigo Surface, que era uma mesa sensível ao toque e que agora chama-se PixelSense).

 

O Surface é um tablet projetado pela Microsoft com o que ela entende como um dispositivo desse tipo deve ser para que utilize todo potencial que a próxima versão do Windows proporciona. Na verdade, definir o Surface como simplesmente um tablet não é totalmente correto. Lembre-se que, com o Windows, a Microsoft domina o mercado de sistemas operacionais para computadores pessoais - os famosos PCs, que muitos consideram que estão com os dias contados, em uma era pós-PC onde quem reina são smartphones, tablets e outros tipos de dispositivos móveis. Assim, levando-se em conta o que trouxe a Microsoft até aqui, nada mais coerente que o Surface seja uma espécie de híbrido, o qual, apesar de sua principal identidade ser um tablet (quando a interface Metro pode ser melhor explorada), também pode virar um PC, a partir do uso de um teclado acomplado na própria capa que vem com o aparelho e de um suporte para apoio.

 

 

Haverá dois modelos de Surface: um com a versão Professional do Windows 8 e processador x86 (que rodará qualquer aplicativo existente para os PCs tradicionais), e outra versão com o Windows RT, a nova versão do Windows para processadores ARM. O Office 2013 virá instalado em ambos os modelos. As primeiras repercussões têm sido positivas. Entretanto, ainda restam dúvidas que podem determinar a aceitação e o futuro do produto:

  • Preço: o preço ainda final não foi divulgado. As respostas para essa questão foram evasivas, dizendo que o preço da versão Windows RT será na mesma faixa de outros tablets ARM, enquanto que a versão Windows 8 será compatível com os preços dos ultrabooks;
  • Tempo de duração da bateria: um item crucial para dispositivos móveis;
  • Data de lançamento: a versão Windows RT estará disponível quando o sistema operacional for lançado, o que também não foi divulgado quando acontecerá, mas especula-se que seja em torno de setembro ou outubro. Já a versão Windows 8 estará disponível 3 meses após o lançamento da versão Windows RT. Ou seja, levará em torno de 3 a 6 meses para os produtos chegarem no mercado. É um tempo considerável e que levanta a dúvida de que se não valeria mais a pena fazer o anúncio mais próximo à data de lançamento;
  • Parcerias: apesar de ter alguns hardwares com sua marca (sendo o de maior sucesso o Xbox), a Microsoft é primordialmente uma empresa de software. Agora, ela irá concorrer com empresas que até então eram suas parceiras, o que não as deve ter agradado nem um pouco. Provavelmente, ela optou por esse caminho para não ficar totalmente dependente das empresas parceiras fabricantes de PCs, que poderiam não fazer produtos com boa qualidade, o que poderia prejudicar a imagem da próxima versão do Windows;

 

 

 

A Microsoft tem feito apostas arriscadas e audaciosas em relação ao Windows: primeiro, com a remodelagem da interface, incorporando o Metro, e agora lançando seu próprio tablet. Não poderia ser diferente. Não resta dúvidas que nesse campo, o grande rival e referência quando se fala em tablet ainda é o iPad. Esse mercado praticamente foi criado pela Apple há meros 2 anos e meio, e os tablets Android ainda não conseguiram se consolidar. Assim, a Microsoft entra na disputa ainda a tempo e com maiores chances de sucesso. A esperança da Microsoft é se manter relevante no mercado de PCs, ganhar importância no mercado de tablets e, com isso, conseguir influenciar o aumento de participação nos smartphones, onde o Windows Phone, apesar dos elogios por parte da mídia especializada, tem encontrado grandes dificuldades, já que chegou muito atrasado em um mercado onde iPhone e Android estão bem consolidados. Tarefa fácil, não?

 

 

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Novidades do MIX 10

by Ricardo Oneda 21. março 2010 19:22

Na semana que passou, aconteceu em Las Vegas, EUA, o evento MIX. Ao lado do PDC e do TechED, o MIX compõe a trinca de eventos principais da Microsoft e, apesar de nunca ter ido a nenhuma edição, na minha opinião, acaba sendo o evento mais interessante, pois é uma conferência para desenvolvedores e designers e também porque é nele que os anúncios mais legais têm sido feitos.

Ao contrário do PDC 09, quando tive oportunidade de acompanhar o evento in loco em Los Angeles, acompanhei o MIX aqui mesmo do Brasil. Aliás, os vídeos das palestras do MIX, como se tornou costume, já estão disponíveis gratuitamente para download. Ou seja, mesmo para aqueles que, como eu, não puderam acompanhar o evento ao vivo, não há desculpa para dizer que não sabe o que aconteceu por lá.

O grande assunto do MIX 10 foi a divulgação da plataforma de desenvolvimento para o Windows Phone 7, o novo sistema operacional da Microsoft para telefones celulares, que tem recebido muitos elogios, apesar dele só chegar no segundo semestre de 2010. O desenvolvimento de aplicações para o Windows Phone 7 será feito através do Silverlight e do XNA Framework. Assim, os desenvolvedores poderão reaproveitar todo o conhecimento que já possuem nessas plataformas para criar aplicações para celulares. Também foram disponibilizadas versões CTPs de ferramentas de desenvolvimento para o Windows Phone 7 que se integram com o Visual Studio 2010 e Expression Blend 4, além de uma versão da família Express do Visual Studio (que é gratuita) voltada para esse ambiente.

Dessa forma, o Silverlight passa a ser uma peça ainda mais fundamental na estratégia de plataforma de desenvolvimento da Microsoft. Além de possibilitar a criação de aplicações RIA que rodam no browser (e também fora dele, através do recurso Out-Of-Browser), agora a mesma plataforma será utilizada para desenvolvimento de aplicativos móveis. Por falar em Silverlight, também foi divulgado o market share do produto, que passou de 45% na época do PDC, em novembro de 2009, para 60% agora em março de 2010. Ou seja, 60% das máquinas que acessam a Internet já possuem o plug-in do Silverlight instalado, o que é um crescimento impressionante, considerando o curto tempo de vida que essa tecnologia tem.

Outro assunto aguardado e comentado foi o Internet Explorer 9. Foi disponibilizada para download uma prévia do que teremos na próxima versão do browser da Microsoft. Que fique bem claro: ainda não se trata de uma versão beta que pode ser utilizada para uso diário, mas sim uma prévia voltada para desenvolvedores, cujo objetivo é demonstrar as melhorias na renderização das páginas, o novo engine para javascript (que passa a utilizar um dos núcleos de processadores com vários núcleos para compilar o código javascript e, consequentemente, ganhar velocidade) e na aderência aos padrões web. A Microsoft promete atualizar essa versão prévia em curtos intervalos de tempo (a cada oito semanas), até disponibilizar uma versão beta mais próxima da versão final, voltada para um público menos técnico.

Outro anúncio feito durante o MIX 10 foi a liberação da versão Release Candidate do Silverlight 4 e do WCF RIA Services. Essa é a última versão antes do lançamento da versão final, que deve ocorrer em breve.

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Google Phone

by Ricardo Oneda 5. janeiro 2010 01:06

Se os boatos estiverem corretos, amanhã, 05/01/2010, será o dia em que o Google irá anunciar oficialmente o seu Google Phone. Na verdade, ele não terá esse nome. De acordo com as especulações, o aparelho se chamará Nexus One, será fabricado pela HTC e virá com o Android, o sistema operacional open source do Google para dispositivos móveis. O preço do aparelho desbloqueado deverá ser de US$ 530 nos EUA, ou de US$ 180 se for adquirido em conjunto a contratação de um plano da operadora T-Mobile (o que só faz sentido para quem mora lá). Aparentemente, o Google irá vender o aparelho também em outros países, mas para isso será cobrada uma taxa adicional que, no caso do Brasil, especula-se ser de US$ 209 (se quiser saber mais sobre a taxa, leia Nexus One: Bad news for international users).

Pelo que se tem falado, o aparelho não trará nenhuma grande inovação que cause impacto (aliás, depois do iPhone, vai demorar para aparecer algo que provoque tanto impacto). Ele é muito semelhante a um outro modelo já comercializado pela própria HTC (a possível configuração do aparelho pode ser encontrada em Exclusive: Nexus One full specs detailed, invite-only retail sales starting January 5th?). Parece que a grande novidade mesmo será a marca do Google que o aparelho terá, o que, diga-se de passagem, não é pouca coisa. Já que aparentemente não haverá grandes inovações, o que se pode concluir desse lançamento? Acredito que podemos chegar às seguintes conclusões:

  • Tudo que o Google faz gera muito falatório, o que acaba atraindo muita atenção. Tomando como exemplo o Nexus One, o produto ainda nem foi lançado e já existem dezenas de avaliações do mesmo. Inclusive já existem vários vídeos no YouTube demonstrando-o. Na minha opinião, o Google não quer se tornar uma empresa de hardware. O que ele quer é difundir o Android e, para isso, nada melhor do que se aproveitar dessa exposição gratuita que envolve tudo que o Google faz e lançar um produto com sua marca (e reputação) para demonstrar as vantagens de sua plataforma. Aparelhos com Android começaram a aparecer com mais força em 2009 e, provavelmente, 2010 será o ano no qual veremos uma avalanche de lançamentos de celulares com Android. O Nexus One é só a ponta do iceberg;
  • Não é novidade para ninguém que o Google quer estimular cada vez mais o uso de aplicações através da Internet, tirando o foco do PC e, conseqüentemente, do sistema operacional (leia-se Windows). É assim com seu carro-chefe (o sistema de buscas), com os aplicativos do Google Docs, com o Chrome OS (o sistema operacional para netbooks, que nada mais é do que uma versão do Linux cuja única aplicação é o browser Chrome, através do qual se tem acesso às aplicações na nuvem) e também será assim com os dispositivos móveis rodando Android. O importante não será o aparelho utilizado e sim o acesso a Internet para executar as aplicações que lá ficam. É a materialização da essência do conceito de Network Computer criado por Larry Ellison, CEO da Oracle, em 1995, e que na época não avançou pois as condições necessárias ainda não existiam ou eram muito precárias (uma idéia a frente do seu tempo);
  • Através do Android, o Google quer estabelecer uma plataforma única de desenvolvimento e execução de aplicações para dispositivos móveis independente de fabricantes. Um dos grandes problemas no desenvolvimento para dispositivos móveis é que cada fabricante possui sua plataforma/sistema operacional, fazendo com que a aplicação tenha que ser desenvolvida para cada tipo de aparelho. Dá para perceber que isso implica em problemas como gerenciamento e manutenção de várias versões de aplicativos. Uma grande esperança para resolver esse problema era o Java, com o seu lema "Escreva uma vez, rode em qualquer lugar". Na teoria, uma única aplicação Java rodaria em qualquer plataforma que suportasse a JVM - Java Virtual Machine, sem a necesseidade de ser reescrita. Na prática, não foi exatamente isso que ocorreu, pois cada plataforma tem suas características que acabam criando algum nível de incompatibilidade. Se o Google conseguir estabelecer sua plataforma como a padrão para dispositivos móveis (o que não é uma tarefa fácil), terá sido um grande passo para resolver esses problemas. Há duas alternativas para isso: convencer os fabricantes a aderirem a sua proposta e/ou conseguir uma aceitação tão grande por parte dos usuários e do mercado ao ponto do Android se tornar um padrão de fato e passar a ser escolhido sem que haja dúvidas ou questionamentos;
  • Mobilidade, ou melhor, acesso a Internet móvel, definitivamente, é um assunto que veio para ficar e a tendência é que se torne cada vez mais importante. É o campo em que há mais expectativa de crescimento (e oportunidades de negócios) nos próximos anos. Se considerarmos o Brasil, podemos perceber que o potencial é enorme, já que aqui a penetração de celulares é muito grande se comparada ao mercado de PCs (ainda que a infra-estrutura oferecida seja extremamente precária para aquilo que se deseja). O Gartner recentemente divulgou um estudo sobre as tendências de mobilidade para 2012. Tem muita coisa interessante lá e que não está muito longe de acontecer. Sugiro fortemente que a leitura do conteúdo. Outro estudo que vale a pena ser lido sobre o assunto é o do Morgan Stanley. Segundo ele, estamos no quinto maior ciclo da computação: o primeiro foi o dos Mainframes, o segundo foi o dos mini-computadores, o terceiro foi o dos PCs, o quarto foi o da Internet no desktop e o quinto seria o da Internet móvel. Como se percebe, esse é um dos principais assuntos do momento. Agora, se misturarmos a mobilidade com outros temas quentes como redes sociais, já imaginou o que vem por aí?

Ricardo Oneda.

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