Tudo o que você precisa saber dos últimos eventos da Microsoft

O último mês foi muito movimentado para quem acompanha a evolução das tecnologias da plataforma Microsoft. Ousaria dizer que fazia tempo que as novidades anunciadas não causavam tanta empolgação na comunidade. Eu, pelo menos, fiquei muito empolgado com o que foi divulgado, como há tempos não ficava. Mas não se trata de um sentimento superficial, vazio, de simplesmente celebrar o novo pelo novo, de mudar para continuar como está, como muitas vezes vemos por aí. Muito pelo contrário. Dá para perceber que os anúncios feitos seguem uma coesão e alinhamento que normalmente não se via na Microsoft, famosa por disputas internas entre suas divisões de produtos, que costumavam defender seus próprios interesses, que não necessariamente era o melhor para a empresa. A ideia de One Microsoft não era brincadeira.

É possível perceber que por trás de tudo isso existe uma linha de pensamento, um direcionamento estratégico, que todos os times de produto da empresa parecem estar perseguindo. A Microsoft vem mudando nos últimos anos, mas nesse último mês chegou-se ao ápice desse processo, quando foi possível vislumbrar as peças se encaixando e muita coisa começando a fazer mais sentido. É claro que esse comprometimento com a mudança é uma questão de sobrevivência para a empresa, já que o mundo mudou muito nos últimos 15 anos, mas não deixa de ser fascinante acompanhar essa transformação. A Microsoft se deu conta que não é mais o centro da computação pessoal, como foi um dia. E que nunca mais o Windows será a única plataforma computacional utilizada pelas pessoas, e sim, mais uma das plataformas com as quais as pessoas interagem. Claro que a Microsoft prefere que o Windows seja a escolha, mas se não for, tudo bem também, pois ela pode oferecer seus serviços, sua plataforma de computação na nuvem e suas ferramentas. A Microsoft de hoje aceita e abraça a computação na nuvem, a filosofia open-source, o modelo de serviços/assinatura (ao invés do licenciamento perpétuo) e as múltiplas plataformas assim como quando, no meio dos anos 90, aceitou e abraçou a Internet. Se alguém acha que a Microsoft vai se tornar irrelevante nesse novo mundo, é bom rever os seus conceitos, pois ela está mais forte do que nunca, com uma estratégia bem definida e muito bem posicionada tecnicamente para alcançar seus objetivos.

No início de abril, ocorreu o evento Build, voltado para desenvolvedores, e em maio, o TechEd (os vídeos das palestras, tanto do Build quanto do TechEd, podem ser vistos e baixados gratuitamente no Channel 9). O que se viu foi uma avalanche de anúncios de novas tecnologias, ferramentas, funcionalidades e o roadmap para onde a Microsoft está caminhando. Listo abaixo um resumo dos principais anúncios feitos nesses eventos. Apesar de já ter se passado um certo tempo, principalmente em relação ao Build, ainda há muita coisa a ser digerida. Pretendo voltar a alguns desses temas com mais detalhes, conforme eu conseguir processar tanta informação:

  • Windows Phone 8.1: possuirá um novo modelo de desenvolvimento, baseado no WinRT (Windows Runtime) e com possibilidade de uso de C++, .NET (XAML/C#/VB.NET) ou HTML5/Javascript/CSS, como já ocorre no desenvolvimento de aplicações Windows Store (antigo Metro) no Windows 8 para PCs e tablets, tornando possível assim a unificação do modelo de desenvolvimento entre as diversas plataformas e versões do Windows! Também foi demonstrada a Cortana, o assistente pessoal digital que utiliza técnicas de inteligência artificial e machine learning, com o qual será possível interagir através de linguagem natural, falada e escrita. Todos smartphones com Windows Phone 8 receberão a atualização para Windows Phone 8.1, que deve ser liberada nas próximas semanas.
  • Windows 8.1 Update: a novidade é o Brokered Windows Runtime Components,  que permitirá aplicações Windows Store/Metro (que rodam sobre WinRT) interagirem com aplicações desktop .NET (que não rodam sobre WinRT). O objetivo é permitir maior reaproveitamento de código legado, possibilitando modernizar a camada de apresentação de uma aplicação legada sem ter que reescrevê-la totalmente. Essa é uma funcionalidade voltada para aplicações corporativas. Além disso, essa atualização traz várias melhorias para equipamentos baseados em teclado e mouse, ou seja, que não possuem touch, o que é uma grande reclamação do Windows 8. O Windows 8.1 Update já está disponível no Windows Update;
  • Windows Universal Apps: com o Windows Phone 8.1 e Windows 8.1 Update ambos baseados no WinRT, a Microsoft introduziu um novo tipo de projeto do Visual Studio chamado Windows Universal Apps, que possibilitará que a mesma aplicação rode tanto em smartphones, PCs e tablets Windows, adaptando somente a interface de cada dispositivo e reaproveitando todo o resto. No futuro, a ideia é que aplicação também possa ser executada no Xbox One;
  • Demais assuntos sobre Windows: smartphones e tablets de até 9 polegadas não precisarão mais pagar licença do Windows. Haverá uma versão do Windows para Internet das Coisas (Internet of Things) e foi feita uma demonstração da volta do menu Iniciar ao Windows, cuja retirada sempre foi motivo de polêmica, além da possibilidade de se executar aplicações Windows Store/Metro em janelas no desktop, ainda sem previsão de data;
StartMenuWindows8Novo menu Iniciar do Windows, ainda sem data para chegar

 

  • Internet Explorer 11: o engine do IE11 será o mesmo no Windows 8.1 Update e Windows Phone 8.1. Assim, o mesmo núcleo do browser rodará em PCs, tablets e smartphones;
  • Office: foi exibida brevemente a cara da nova versão do Office para Windows, otimizada para touch e reescrita em cima do WinRT. Ainda não há previsão de lançamento;
OfficeTouchForWindowsNovo PowerPoint para Windows, otimizado para touch

 

  • .NET Compiler Platform: a Microsoft está desenvolvendo um novo compilador para C# e VB.NET chamado Roslyn e o disponibilizou como open-source. A novidade é que esse compilador fornecerá uma API com a qual será possível interagir (o que a Microsoft chama de compiler as a service) e facilitará funcionalidades como análise de código, refactoring, geração de código, etc. O principal usuário disso será quem desenvolve ferramentas ou plug-ins para IDEs, como Visual Studio, além da própria Microsoft, que poderá fornecer novos recursos de maneira mais rápida. Foi feita uma demonstração no palco, na qual esse novo compilador foi utilizado em um MacBook para compilar código C# através de uma versão especial do Mono (implementação alternativa do .NET Framework). Com esse novo compilador, também foram exibidas algumas novas funcionalidades da próxima versão do C# e VB.NET;
  • .NET Native: promete combinar a performance do C++ com a produtividade do C#, permitindo compilar uma aplicação C# diretamente para código nativo e que não exigirá a presença do .NET Framework para ser executada. Nesse momento, só funciona para aplicações Windows Store/Metro, mas a ideia é expandir para outros tipos de aplicação futuramente;
  • .NET Foundation: foi criada a .NET Foundation, que será uma organização independente e responsável por fomentar o desenvolvimento e a colaboração de projetos .NET open-source, como ASP.NET MVC, ASP.NET Web API, ASP.NET Web Pages, SignalR, Entity Framework, .NET Compiler Plataform, bibliotecas da Xamarin, etc.
  • Visual Studio 2013: foi lançada uma atualização (Update 2) para o Visual Studio 2013 que possibilita as funcionalidades citadas anteriormente e muito mais. O destaque é para a integração cada vez maior com o Azure (por exemplo, criação e gerenciamento de máquinas virtuais de dentro do Visual Studio, debug remoto de aplicações hospedadas no Azure, etc), além de várias outras melhorias para desenvolvimento de aplicações web. Além disso, a Microsoft posicionou o Visual Studio como uma IDE para desenvolvimento de aplicações multiplataforma. Há outras empresas que têm feito coisas muito interessantes nesse sentido, com destaque para a Xamarin, que permite escrever aplicações nativas com C# tanto para Windows, iOS, Mac e Android. A Xamarin teve uma grande exposição nos keynotes e palestras do Build, e não me espantaria se a Microsoft a comprasse futuramente (há vários boatos circulando sobre essa possibilidade). Além disso, no TechEd, foi anunciado o suporte nativo do Visual Studio ao Apache Cordova (antigo PhoneGap), que é uma plataforma open-source muito popular para desenvolvimento de aplicações híbridas para dispositivos móveis (iOS, Android, Windows Store e Windows Phone) através de HTML, Javascript e CSS;

netinnovation

 

  • ASP.NET: o TechEd foi o evento onde foram feitos os principais anúncios envolvendo a próxima versão do ASP.NET, chamada de ASP.NET vNext. Vale lembrar que essa versão ainda encontra-se em estágio pré-alfa, ou seja, ainda é um trabalho muito inicial, sem previsão de quando estará disponível para uso em produção. A próxima versão do ASP.NET segue alguns pilares: será totalmente modularizada e flexível (será possível escolher quais módulos sua aplicação irá utilizar, ao invés de carregar todos os módulos do .NET Framework, o que permitirá menor consumo de memória e maior rapidez na inicialização e maior vazão), multiplataforma (irá executar em Windows e outras plataformas que suportem Mono, como Mac e Linux), agnóstica de servidor (a aplicação ASP.NET poderá ser hospedada no IIS ou em um self-host; a Microsoft já dava sinais de que seguiria esse modelo com os projetos OWIN e Katana, nos quais a próxima versão do ASP.NET é baseada), modelo de desenvolvimento unificado para ASP.NET MVC, ASP.NET WebAPI e ASP.NET WebPages (esses três “componentes” serão agrupados em um framework que eles chamaram de ASP.NET MVC 6), mecanismo de Injeção de Dependência nativo unificado, maior agilidade na dinâmica de desenvolvimento (não será preciso gerar DLLs, basta alterar o código no seu editor preferido e atualizar o browser, pois a compilação ocorrerá em memória, em tempo de desenvolvimento, utilizando o .NET Compiler Platform – Roslyn), substituição de arquivos de configuração baseados em XML por baseados em JSON, referências a pacotes do NuGet (e não a assemblies) e open-source (agora mantido no GitHub). Também foram anunciadas novas versões do SignalR e Entity Framework. Além disso, foi mostrada a nova versão do .NET Framework, chamada de .NET vNext Cloud Optimize (.NET otimizado para a nuvem). É versão do .NET otimizada para ser executada em servidores, suportando aplicações web e serviços, que utiliza somente os módulos necessários para esse tipo de cenário e que foi drasticamente reduzida em termos de tamanho (em torno de 10 MB), já que não contém várias bibliotecas que só fazem sentido em aplicações client, como Windows Forms e WPF. Com o .NET Cloud Optimize, não é mais necessário ter o .NET Framework instalado no servidor, já que ele poderá ser distribuído junto com a aplicação, ou seja, cada aplicação ASP.NET poderá conter uma versão customizada do .NET (somente com os módulos que interessam para a aplicação, pois cada módulo será um pacote do NuGet). Um exemplo dessa funcionalidade na prática, que foi demonstrado no TechEd, foi a execução de uma aplicação ASP.NET a partir de um pen drive em uma máquina sem o IIS e sem o .NET Framework. Você pode estar se perguntando: e o ASP.NET WebForms? Ele não irá suportar essas novas funcionalidades, pois o WebForms é dependente do System.Web, o que não permite usufruir dessas novidades. O System.Web é um assembly muito complexo e acoplado ao .NET Framework, o que dificulta as coisas. Entretanto, será possível continuar utilizando o ASP.NET WebForms, sem esses novos benefícios, mas para isso será necessário continuar instalando o .NET Framework completo.

    dotNetFuture


Em breve, pretendo citar alguns vídeos de palestras do Build e TechEd que valem a pena ser vistas.

O Windows Phone está começando a se tornar relevante?

O assunto que tomou conta da semana, sem dúvida, foi o anúncio de que a Microsoft comprou a divisão de telefones da Nokia por mais de 5 bilhões de euros (a Nokia vai continuar a existir, mas fabricando equipamentos de rede, serviços baseados em localização e patentes). Há tempos circulavam boatos de que isso poderia acontecer, já que a Nokia era a principal parceira da Microsoft no campo de telefones e que havia apostado todas suas fichas no Windows Phone. O negócio é mais um passo na mudança do modelo de negócios da Microsoft em direção a se tornar uma empresa de “dispositivos e serviços”, que se iniciou com o Surface. Se vai dar certo ou não, é uma história totalmente diferente, mas pelo menos a Microsoft está sendo coerente com sua estratégia.

 

microsoft-nokia

 

Se Stephen Elop, até então CEO da Nokia, já era o nome mais cotado para assumir a Microsoft com a aposentadoria de Steve Ballmer, principalmente por já ter sido um alto executivo da empresa antes de ter ido para a Nokia, agora de volta como vice-presidente, as chances são altas de que isso se confirme, mas vamos ter que aguardar em torno de 12 meses para saber.

 

Agora, o mercado de dispositivos móveis tem seus principais players assim divididos: Apple com iOS, Google + Motorola com o Android, Microsoft + Nokia com Windows Phone e Samsung. Interessante notar que somente a Samsung não possui um sistema operacional e serviços, ficando somente com o hardware. Será que a empresa sul-coreana pretende fazer algo a respeito?

 

Mas a notícia que mais me chamou atenção mesmo saiu um dia antes do negócio entre Microsoft e Nokia, mas acabou sendo ofuscada. A notícia de que aparelhos da Nokia com Windows Phone já estão atingindo 8% das vendas em alguns países importantes da Europa (Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Espanha) e também vem ganhando terreno em vários outros países ao redor do mundo. Há tempos que a participação do Windows Phone no mercado tem aumentado, pouco a pouco, é verdade, mas tem mantido um ritmo de crescimento. Entretanto, parece que agora começa a ganhar um impulso maior. Um fato que acho relevante destacar é que nós, que trabalhamos com tecnologia, já estamos habituados com smartphones e tablets no nosso dia-a-dia, na maioria da vezes com aparelhos da Apple ou rodando Android. Some-se a isso  a questão de que as principais fontes de notícias que costumamos usar virem dos EUA, onde a Apple domina, e temos a percepção de que o iOS e o Android já dominaram o mercado de dispositivos móveis, não havendo espaço para outras alternativas. Devemos tomar cuidado, pois essa é uma percepção que só é em parte verdadeira.

 

iOS Windows Phone Android

Claro, é indiscutível que atualmente Android e iOS dominam o mercado, mas o que muita gente se esquece ou não sabe é que menos da metade dos telefones celulares em uso no mundo são smartphones. Ou seja, estamos no começno de um mercado que ainda tem muito para crescer. Acontece que a maior parte desse crescimento vai acontecer em países emergentes ou em desenvolvimento, como o Brasil. Em outras palavras, países onde a população tem um poder econômico menor que a dos países mais desenvolvidos, onde os smartphones já estão mais consolidados. Ou seja, para essas pessoas, o preço dos aparelhos é um fator importante (por que vocês acham que a Apple, segundo boatos, está prestes a lançar uma versão mais barata do iPhone?). E muitas dessas pessoas estão começando a adquirir seus primeiros smartphones agora. E aqui vem a boa notícia para a Microsoft: o Windows Phone tem se mostrado a plataforma preferida para aquelas pessoas que vão adquirir seu primeiro smartphone, superando aparelhos da Apple ou com Android. 42% de quem adquire seu primeiro smartphone compram um Windows Phone. Muita dessa preferência, suponho, deve vir da força que a marca Nokia possui ao redor do mundo, já que é a segunda maior fabricante mundial de celulares, perdendo somente para a Samsung (volto a destacar: o mercado dos EUA é muito particular, não pode ser utilizado como modelo para o que ocorre com o resto do mundo; lá, a Apple domina e a Nokia é mais fraca, exatamente o contrário do que ocorre ao redor do mundo). E os modelos que têm provocado esse aumento de vendas de smartphones com Windows Phone são os chamados de “entrada”, ou seja, modelos mais baratos, como o Nokia Lumia 520.

 

Resumindo, se esse ritmo continuar, a tendência é que a participação do Windows Phone aumente muito, tornando-se de fato uma terceira alternativa viável. Vai superar a Apple? Provavelmente. Vai superar o Android? Dificilmente. Mas acredito que vá garantir uma participação de mercado que não poderá ser ignorada. Acredito que é nisso que a Microsoft aposta. A esperança dela é crescer entre aqueles que ainda não têm um smartphone, principalmente nos mercados menos desenvolvidos, e que vão comprar um modelo mais barato. Se isso realmente acontecer dessa maneira, poderemos dizer que o Windows Phone será uma plataforma relevante. Se não der certo, aí sim poderemos dizer que a Microsoft fracassou no campo da mobilidade.

Surface, o tablet da Microsoft

Desde o final da semana passada, quando a Microsoft enviou, para jornalistas que cobrem tecnologia, um convite para um evento que ocorreria em Los Angeles em 19/06/12, muitas especulações surgiram. Isso tudo por causa do clima de mistério criado (influência da Apple?), já que não havia pistas do que seria anunciado e nem mesmo do local exato do evento, que só foi divulgado na manhã do dia em que o mesmo ocorreu. O evento aconteceu e, como muitos esperavam, a Microsoft revelou ao mundo um tablet que vai levar sua marca, chamado Surface (não confundir com o antigo Surface, que era uma mesa sensível ao toque e que agora chama-se PixelSense).

 

O Surface é um tablet projetado pela Microsoft com o que ela entende como um dispositivo desse tipo deve ser para que utilize todo potencial que a próxima versão do Windows proporciona. Na verdade, definir o Surface como simplesmente um tablet não é totalmente correto. Lembre-se que, com o Windows, a Microsoft domina o mercado de sistemas operacionais para computadores pessoais - os famosos PCs, que muitos consideram que estão com os dias contados, em uma era pós-PC onde quem reina são smartphones, tablets e outros tipos de dispositivos móveis. Assim, levando-se em conta o que trouxe a Microsoft até aqui, nada mais coerente que o Surface seja uma espécie de híbrido, o qual, apesar de sua principal identidade ser um tablet (quando a interface Metro pode ser melhor explorada), também pode virar um PC, a partir do uso de um teclado acomplado na própria capa que vem com o aparelho e de um suporte para apoio.

 

 

Haverá dois modelos de Surface: um com a versão Professional do Windows 8 e processador x86 (que rodará qualquer aplicativo existente para os PCs tradicionais), e outra versão com o Windows RT, a nova versão do Windows para processadores ARM. O Office 2013 virá instalado em ambos os modelos. As primeiras repercussões têm sido positivas. Entretanto, ainda restam dúvidas que podem determinar a aceitação e o futuro do produto:

  • Preço: o preço ainda final não foi divulgado. As respostas para essa questão foram evasivas, dizendo que o preço da versão Windows RT será na mesma faixa de outros tablets ARM, enquanto que a versão Windows 8 será compatível com os preços dos ultrabooks;
  • Tempo de duração da bateria: um item crucial para dispositivos móveis;
  • Data de lançamento: a versão Windows RT estará disponível quando o sistema operacional for lançado, o que também não foi divulgado quando acontecerá, mas especula-se que seja em torno de setembro ou outubro. Já a versão Windows 8 estará disponível 3 meses após o lançamento da versão Windows RT. Ou seja, levará em torno de 3 a 6 meses para os produtos chegarem no mercado. É um tempo considerável e que levanta a dúvida de que se não valeria mais a pena fazer o anúncio mais próximo à data de lançamento;
  • Parcerias: apesar de ter alguns hardwares com sua marca (sendo o de maior sucesso o Xbox), a Microsoft é primordialmente uma empresa de software. Agora, ela irá concorrer com empresas que até então eram suas parceiras, o que não as deve ter agradado nem um pouco. Provavelmente, ela optou por esse caminho para não ficar totalmente dependente das empresas parceiras fabricantes de PCs, que poderiam não fazer produtos com boa qualidade, o que poderia prejudicar a imagem da próxima versão do Windows;

 

 

 

A Microsoft tem feito apostas arriscadas e audaciosas em relação ao Windows: primeiro, com a remodelagem da interface, incorporando o Metro, e agora lançando seu próprio tablet. Não poderia ser diferente. Não resta dúvidas que nesse campo, o grande rival e referência quando se fala em tablet ainda é o iPad. Esse mercado praticamente foi criado pela Apple há meros 2 anos e meio, e os tablets Android ainda não conseguiram se consolidar. Assim, a Microsoft entra na disputa ainda a tempo e com maiores chances de sucesso. A esperança da Microsoft é se manter relevante no mercado de PCs, ganhar importância no mercado de tablets e, com isso, conseguir influenciar o aumento de participação nos smartphones, onde o Windows Phone, apesar dos elogios por parte da mídia especializada, tem encontrado grandes dificuldades, já que chegou muito atrasado em um mercado onde iPhone e Android estão bem consolidados. Tarefa fácil, não?

 

 

MVP Global Summit 2012

Após 4 anos, finalmente voltei a participar de um MVP Global Summit, que é o encontro mundial de MVPs promovido pela Microsoft. Após ter participado em 2007 (sobre o qual você pode ler a primeira, segunda e terceira partes da série que escrevi) e em 2008, entre 28 de Fevereiro e 02 de Março de 2012, tive novamente a oportunidade de estar presente nesse evento que aproxima os MVPs do mundo inteiro com os times de produtos da Microsoft, de acordo com suas respectivas especialidades técnicas. Uma das diferenças desse ano em relação às outras vezes que participei foi que, ao invés de Seattle, a "base de operações" (local onde ficam os hotéis e onde acontecem várias palestras) do evento foi em Bellevue, que é uma cidade vizinha de Seattle e mais próxima de Redmond, onde fica o campus da Microsoft.  

Por falar em Redmond, infelizmente, nesse ano não houve nenhuma palestra sobre ASP.NET, que é minha especialidade como MVP, no campus da Microsoft. Digo "infelizmente" porque ir ao campus da Microsoft é uma atividade muito inspiradora, pois além de ser um lugar extremamente agradável e tranquilo, é possível sentir a atmosfera do lugar onde se criam produtos e tecnologias que irão influenciar boa parte do mundo. Mas nem por isso deixei de fazer uma visita ao local, em um dos poucos momentos livres que tive. Abaixo, você pode assistir a um pequeno vídeo que fiz no Microsoft Visitor Center, ou seja, o centro para visitantes da Microsoft:

Conhecendo o Microsoft Visitor Center - Redmond - 27 de fevereiro de 2012 from Ricardo Oneda on Vimeo.


Entre as várias oportunidades que eventos desse tipo proporcionam, uma das que vale mais a pena é poder rever os amigos e conhecer pessoas cujos contatos, muitas vezes, restringia-se ao mundo virtual. E isso se aplica tanto aos MVPs do Brasil quanto de outros países, e também a profissionais conhecidos no mundo Microsoft, como Scott Guthrie e Scott Hanselman.

 

Da esquerda para a direita, eu, Rodolpho Carmo, Scott Guthrie, Victor Cavalcante, Rodrigo Kono e Fernando Henrique

 

 

Outro destaque do evento foram os MVPs brasileiros. Devidamente "uniformizados" com o amarelo da seleção brasileira de futebol, não se pode negar que chamávamos a atenção, principalmente nas festas de abertura e fechamento do evento.

 

Sim, eu estou aí no meio!

 

 

Apesar de não ter sido minha primeira participação em um MVP Global Summit, posso dizer que foi uma ótima experiência. Como das outras vezes, não me canso de ficar impressionado com a organização do evento. A logística empregada para dar suporte a mais de 1.000 MPVs de várias partes do mundo, considerando hotéis, alimentação, transporte e o próprio evento em si não é para amadores. Os organizadores do evento estão de parabéns!

 

Microsoft Web Camps no Brasil

Nos dias 18 e 19 de março, a Microsoft irá promover o evento Web Camps em São Paulo. Esse é um evento gratuito, que ocorre em várias cidades ao redor do mundo, e é dedicado a treinamentos voltados para tecnologias web, como ASP.NET MVC, jQuery, WebMatrix, etc. O treinamento será ministrado por Phil Haack, Program Manager da Microsoft, responsável por projetos legais como o ASP.NET MVC e NuGet.

Microsoft Web Camps

 

Algumas observações importantes: aparentemente, as vagas para o dia 19 já se esgotaram! Portanto, se você pretente ir ao evento e ainda não se inscreveu, corra pois só restam vagas para o dia 18. Além disso, as pessoas que pretendem participar do treinamento, devem levar um notebook. Mais informações no site do evento em http://webcamps.ms/upcoming-web-camps.aspx

Além disso, o material que é utilizado nesse treinamento está disponível para download ou então para consulta on-line. Aproveitem!

 

Internet Explorer 9 Beta

No último dia 15, a Microsoft lançou a versão Beta do Internet Explorer 9, cujo download já pode se feito. Essa versão traz várias novidades, como maior compatibilidade com os padrões web, suporte a CSS3 e HTML5, aceleração por hardware, um novo engine JavaScript (chamado de Chakra) que é muito mais rápido que o anterior e a grande alteração na interface de usuário. Nessa versão, a interface do IE ficou bem minimalista (influência do Chrome?) e deixa bastante espaço para as páginas que estão sendo exibidas. E finalmente, na nona versão, o browser da Microsoft ganhou um gerenciador de downloads! Se você ficou interessado, faça o download hoje mesmo. Só lembrando que essa versão não é compatível com Windows XP.

jQuery e Microsoft

A notícia é um pouco antiga, mas como vi pouca repercursão, acredito que vale a pena escrever a respeito. No último evento MIX, que aconteceu em março de 2010, um dos anúncios feitos foi o da Microsoft eleger o jQuery como a principal tecnologia de client-side script para aplicações ASP.NET. Desde 2008, o jQuery já é suportado oficialmente pela Microsoft. O que muda com o anúncio feito no MIX é que agora a Microsoft vai investir tempo e dinheiro para contribuir com propostas para o projeto open-source, assim como qualquer pessoa ou empresa pode fazer. Claro que essas contribuições não servirão somente para aplicações desenvolvidas com tecnologias Microsoft, mas sim para qualquer plataforma tecnlógica que venha a fazer uso do jQuery (PHP, Java, Ruby, etc).

Você pode estar se perguntando: o que acontecerá com o ASP.NET Ajax Library e com o Ajax Control Toolkit? Com a palavra, Stephen Walther, um Program Manager do time de ASP.NET:

 

"(...) We realize that the Ajax Control Toolkit is extremely popular among ASP.NET Web Forms developers and we want to continue to invest in the Ajax Control Toolkit.

If you are adding JavaScript interactivity to an ASP.NET Web Forms application, and you don’t want to write JavaScript, then we recommend that you use the server controls in the Ajax Control Toolkit. Using the Ajax Control Toolkit does not require knowledge of JavaScript and the toolkit enables you to build applications with the concepts familiar to ASP.NET Web Forms applications developers.

If, however, you are interested in creating client-side interactivity without server controls then we recommend that you use jQuery.

(...)

We are moving the ASP.NET Ajax Library into the Ajax Control Toolkit. If you currently use ASP.NET Ajax Library client templates, client data-binding, or the client script loader then you can continue to use these features by downloading the Ajax Control Toolkit.

Be aware that our focus with the Ajax Control Toolkit is server-side Ajax.  For client-side Ajax, we are shifting our focus to jQuery. For example, if you have been using ASP.NET Ajax Library client templates then we recommend that you shift to using jQuery instead. "

O que, numa livre tradução, quer dizer:

 

"(...) Nós reconhecemos que o Ajax Control Toolkit é extremamente popular entre os desenvolvedores ASP.NET que utilizam Web Forms e nós queremos continuar a investir no Ajax Control Toolkit.

Se você está adicionando interatividade com Javascript em uma aplicação ASP.NET Web Forms e você não quer escrever código Javascript, então nós recomendamos que você use os server controls do Ajax Control Toolkit. Usar o Ajax Control Toolkit não exige conhecimento de Javascript e ele permite que você construa aplicações através de conceitos familiares aos desenvolvedores ASP.NET que utilizam Web Forms.

Entretanto, se você está interessado em criar interatividade do lado cliente sem server controls, então nós recomendamos que você use jQuery.

(...)

Nós estamos movendo o ASP.NET Ajax Library para dentro do Ajax Control Toolkit. Se você usa atualmente client templates, client data-binding, ou o client script loader do ASP.NET Ajax Library, então você pode continuar a usar essas funcionalidades fazendo o download do Ajax Control Toolkit.

Esteja ciente de que nosso foco com o Ajax Control Toolkit é Ajax do lado servidor. Para Ajax do lado cliente, nós estamos mudando nosso foco para jQuery. Por exemplo, se você usa cliente templates do ASP.NET Ajax Library, nós recomendamos que você mude para jQuery."

 

O texto completo, de onde retirei o trecho acima, pode ser encontrado em Microsoft, jQuery, and Templating.

A aposentadoria de Bill Gates

A notícia de tecnologia mais comentada da semana que passou foi a aposentadoria de Bill Gates do cargo de Chief Software Architect da Microsoft (caso esteja curioso, poderá ver como foi seu último dia de trabalho). Ele continua sendo chairman e presidente do conselho administrativo da Microsoft, o que lhe ocupará um dia por semana, deixando de atuar em questões do dia-a-dia para se dedicar a causas filantrópicas através da Fundação Bill e Melinda Gates. Como era de se esperar, apareceram muitos especiais na web sobre o assunto, sendo que destaco os seguintes:

  • especial Bill Gates do IDG Now!: matérias, fotos e vídeos sobre a trajetória de Bill Gates e da Microsoft. Contém também uma lista de previsões feita por ele (algumas se concretizaram e outras não) e outra com suas frases mais famosas - e não, a frase "640K de memória é o bastante para qualquer um" não foi dita por ele;
  • especial Os últimos dias de Bill Gates na Microsoft, do portal IT Web: análises e opiniões sobre o legado de Bill Gates e o futuro da Microsoft sem ele;
  • Gates 2.0: especial do jornal Seattle Post-Intelligencer, com destaque para um e-mail interno enviado por Bill Gates no qual ele descreve sua frustração ao tentar instalar o Windows Movie Maker, fazendo duras críticas a processo e ao site da Microsoft (Bill Gates é famoso por ser um crítico ácido e rigoroso na avaliação de projetos);

Bill Gates é uma das figuras mais polêmicas da atualidade. Amado por uns e odiado por outros, não há dúvidas de que suas idéias e visões influenciaram a maneira como utilizamos a tecnologia atualmente e continuará influenciando por um bom tempo.

MVP Global Summit 2008

Entre os dias 14 e 18 de abril, tive a chance de participar do meu segundo MVP Global Summit, em Seattle e em Redmond, cidade onde fica o campus da Microsoft (você pode saber como foi o primeiro, no ano passado, lendo a primeira, segunda e terceira partes da série que escrevi aqui no blog). O principal objetivo desse evento é aproximar os MVPs do mundo todo com os times responsáveis pelos produtos da Microsoft e, a partir daí, poder influenciar no rumo que eles tomam, baseando-se nas necessidades que encontramos no dia-a-dia, e dar feedback diretamente para quem é responsável pelos produtos.

O evento desse ano teve duas principais novidades. A primeira foi a possibilidade dos MVPs participarem das sessões de áreas diferentes da sua especialidade. Por exemplo, um MVP em ASP.NET, neste Summit, pode assistir sessões de C#, VB.NET ou SQL Server, por exemplo. Isso foi muito bom, pois dificilmente alguém trabalha somente com uma determinada tecnologia e não tem interesse em outras. Assim, cada um pode montar sua agenda de acordo com seus interesses.

A outra novidade foram as sessões do tipo Open Space, coordenadas pelos próprios MVPs e que aconteceram no primeiro dia. Open Space é uma metodologia de condução de reuniões e eventos que, diferentemente de uma apresentação tradicional, não possui um roteiro pré-definido e nem muitas regras. Também não existe a figura do palestrante que fica lá na frente falando enquanto a platéia só ouve. Existe somente o host, que é o responsável por iniciar o debate e agir como um facilitador, mas a sessão não fica centralizada nele. Em uma sessão Open Space, a participação das pessoas é fundamental e todos que quiserem podem dar suas opiniões, tornando a discussão muito mais rica e interativa. No Brasil, este tipo de evento parece não ser muito aplicado, mas pelo que acompanho em vários blogs, nos EUA parece ser bastante difundido. Nunca havia participado de um evento desse tipo, mas tive a oportunidade de fazê-lo, tanto como participante quanto como host de uma das sessões, e posso dizer que a experiência foi bastante interessante.

Nos segundo e terceiro dias do evento, os MVPs foram para o campus da Microsoft em Redmond, onde participamos das sessões técnicas. Devido a um termo de sigilo, os MVPs não podem divulgar detalhes do que foi abordado lá, mas falando de modo geral, se no ano passado o foco estava no LINQ, neste ano falou-se muito em Silverlight. Isso não significa que as aplicações web tradicionais (HTML + JavaScript) não tenham mais futuro, tanto é que também foram abordados o que se pretende fazer nas próximas versões do ASP.NET AJAX e do ASP.NET MVC Framework.

Uma das partes mais legais de um evento como esse é a possibilidade de ver e conhecer pessoalmente verdadeiros ícones da área de TI. No ano passado foram Bill Gates, S. Somasegar, Anders Hejlsberg e Scott Guthrie. Neste ano, pude conhecer Scott Hanselman, um dos blogueiros mais famosos da área de desenvolvimento, e Phil Haack. Atualmente, ambos são os responsáveis pelo ASP.NET MVC Framework.

Ricardo Oneda e Scott Hanselman

 

Neste ano, não teve Bill Gates, mas houve um keynote de Ray Ozzie, que é o substituto de Bill Gates como Chief Software Architect e, entre outros projetos, foi um dos responsáveis pelo Lotus Notes. A transcrição do que foi dito pode ser lido aqui.

Ray Ozzie

 

Para fechar o evento, o keynote de Steve Ballmer, CEO da Microsoft, com direito a piadinha sobre a compra do Yahoo pela Microsoft e tudo mais. A transcrição também está disponível para leitura.

Steve Ballmer 

 

Além do evento em si, aproveitei a viagem para fazer alguns passeios que não consegui no ano passado. Dessa vez, consegui ir a um jogo da NBA, entre o time da casa, o Seattle SuperSonics e o Dallas Mavericks, com a vitória dos Sonics por 99 a 95, num jogo emocionante decidido nos minutos finais. Aliás, não é só um jogo, mas sim, um verdadeiro show de entretenimento, do qual o jogo é só uma parte. O curioso é que este pode ter sido o último jogo do time em Seattle, já que seu novo dono pretende mudá-lo para Ocklahoma, o que os torcedores e a cidade não querem deixar, naturalmente.

Key Arena

 

Também pude ir ao Experience Music Project, uma espécie de museu dedicado à música e onde você também pode tocar vários instrumentos, e ao Science Fiction Museum, o museu que conta a história e evolução da ficção científica, com réplicas de vários personagens de filmes do gênero. Gostei bastante, pois são assuntos que me interessam.