Silverlight agora é suportado oficialmente no Linux

Hoje, a Microsoft anunciou o lançamento da versão final do Silverlight 1.0. A grande novidade foi o fato de também ter sido anunciado um acordo formal entre a Microsoft e a Novell para que o Silverlight rode no Linux. Que haveria uma versão para Linux do plug-in já se sabia, pois Miguel de Icaza, responsável pelo projeto Mono e que trabalha na Novell, já havia divulgado o projeto chamado Moonlight. Entretanto, esperava-se que seria uma iniciativa independente, no sentido de que não teria o apoio oficial da Microsoft, como acontece com o Mono. Mas o que foi divulgado hoje é que a Microsoft dará suporte à Novell no desenvolvimento dessa versão para Linux. Leia mais detalhes no blog do Miguel de Icaza.

Isso confirma uma teoria minha, de dezembro do ano passado, no lançamento do WPF/E (codinome pelo qual era conhecido o Silverlight) e na época em que havia sido divulgado um outro acordo entre Novell e Microsoft, para tornar suas respectivas plataformas mais interoperáveis. Acredito que as possibilidades existentes são bem interessantes, tanto para os usuários quanto para os desenvolvedores. Só o fato de ser multiplataforma e abstrair tecnologias como HTML e JavaScript, que são limitadas e pouco produtivas, já significam uma grande evolução em direção às aplicações mais ricas e interativas. Com isso, fico pensando: o Mono ainda tem espaço? Com aplicações ricas podendo ser executadas em qualquer browser de qualquer plataforma, ainda faz sentido ter uma versão do .NET Framework multiplataforma para executar aplicações do tipo desktop? Ou o Mono continuará a existir focado no lado servidor? Isso, só o tempo dirá.

Como manipular informações em benefício próprio

Quando você acha que já viu de tudo nesse mundo, sempre aparece algo para surpreender! A Red Hat, famosa por sua distribuição Linux, acha que o seu sistema operacional é melhor que o Windows só porque corrigiu mais falhas de segurança do que a Microsoft. E ainda teve a cara-de-pau de usar uma pesquisa da própria Microsoft pra chegar a esta conclusão! Os mais irônico é que o nome do blog onde esta mensagem foi escrita é "Truth Happens".

Ora, mas qual sistema é mais seguro: o que apresenta muitas falhas ou um que apresenta poucas? Não precisa ser nenhum gênio para saber que o que apresenta mais falhas, conseqüentemente, terá mais correções... Será que a Red Hat está incluindo falhas propositadamente só para depois sair por aí dizendo: "Ei, vejam como nosso sistema é seguro e como somos eficientes, estamos corrigindo um milhão de falhas enquanto que a Microsoft só corrigiu dez!" ? Será que ela acha que as pessoas são idiotas?

Não entendo porque ela está se gabando disso, afinal, não fez mais do que obrigação em corrigir as vulnerabilidades. Além disso, se há mais falhas no Linux, isso mostra que o aspecto "segurança" não está recebendo a devida atenção. O que ela não deveria ter feito é deixar tantas falhas serem introduzidas no seu sistema para só depois corrigi-las. Lógico que software sem falhas não existe, mas deve-se fazer o máximo para que sejam nas menores quantidades possíveis. Será que ela se preocupa com isso?

Com escreveu Fernando Cima em seu blog, se fôssemos seguir a lógica da Red Hat, o SQL Server 2005 seria o banco de dados mais inseguro do mundo.

Linux: o tiro que pode sair pela culatra

Outro dia, estava lendo uma notícia que dizia que, dos computadores vendidos com o sistema operacional Linux, somente 25% permaneceram com o sistema. Os demais 75% tiveram o sistema trocado para Windows em até três meses após a compra do computador. Pois bem, fui testemunha deste fato.

Uma família que conheço adquiriu recentemente um computador. Como eles se enquadram na categoria de usuários, ou seja, não conhecem detalhes técnicos de informática, estavam tendo alguns problemas com a instalação e me pediram uma ajuda. Ao chegar na casa deles, deparei-me com uma tela com a mensagem de erro e o prompt do sistema operacional, solicitando a senha do usuário root. Nesse momento, percebi que se tratava de um computador rodando Linux. O problema estava ocorrendo porque tentaram instalar um aplicativo Windows no Linux. Como Linux não é a minha praia, resolvi reinstalar o sistema pelo CD de recuperação que veio junto com o computador. O processo de instalação, ao contrário do que esperava, mostrou-se extremamente fácil e rápido, e logo o computador já estava funcionando. Expliquei para eles  que, como o computador rodava Linux, não seria possível executar aplicativos Windows nele. As versões para Linux dos softwares deveriam ser adquiridas e então instaladas. Aí que começaram os problemas, já que os aplicativos que eles queriam instalar eram todos para Windows. Internet? Sem chance, já que o discador que eles tinham era para Windows. Nem a multifuncional que compraram poderia ser instalada, já que só havia drivers para Windows. Para resumir a história, no final, eles já estavam decididos que iriam instalar o Windows.

Imaginem a quantidade de pessoas que não entendem detalhes técnicos de informática e que acabam se frustrando por causa de acontecimentos como esse. Atraídas pelo preço mais baixo, acabam comprando gato por lebre, já que não sabem quais as implicações de se adquirir um computador com Linux ou com Windows, afinal, o que elas querem é ligar e usar, sem se preocupar com detalhes, código-fonte, etc. Uma iniciativa cuja intenção é nobre (inclusão digital, maior acesso a informação, etc) acaba criando uma série de problemas. O primeiro é que, na visão dessas pessoas, o Linux é o culpado e ficará com fama de porcaria. Além disso, aposto que, no mínimo, 90% das cópias de Windows instaladas em máquinas que vieram com Linux são piratas. Isso acaba incentivando essa indústria, que por sua vez acaba estimulando uma série de atividades criminais, trazendo problemas sociais e econômicos, sem falar no que o Estado deixa de arrecadar em impostos. Se a pessoa fizer parte da minoria que opta por comprar uma versão original do Windows, ela também acabará pagando mais do que se tivesse comprado o Windows com o computador, já que esta versão vendida junto ao hardware, chamada de OEM, é mais barata que o Windows vendido na prateleira da loja. Enfim, todos perdem.

Como o computador está sendo tratado como eletrodoméstico (o que, na minha opinião e no estágio atual, é uma visão equivocada, mas que tende a se tornar realidade no futuro), as lojas que os vendem deveriam estar mais preparadas para explicar essas diferenças aos seus clientes e suas implicações. Não importa se o cliente quer Windows ou Linux. O que importa é que seja uma decisão consciente. 

Ricardo Oneda.