Divagações sobre Silverlight e HTML 5

Se você acompanha o noticiário de tecnologia, muito provavelmente está sabendo da polêmica, que surgiu durante o PDC 10, realizado na semana passada, envolvendo o HTML 5 e o suposto fim do Silverlight. A Microsoft até já se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas como comecei a escrever sobre o assunto antes desse pronunciamento, acredito que valha a pena expor a minha opinião sobre ele. O que escrevi a seguir é baseado no que li na Internet e nas deduções que eu fiz, ou seja, não tenho nenhuma informação exclusiva na qual tenha me baseado e, portanto, posso estar errado sobre alguns pontos.

Os boatos sobre o futuro do Silverlight começaram bem antes do PDC. Em Setembro, foi publicado em um blog o post The rise and fall of Microsoft's UX platform - Part 1, no qual, o autor, um ex-funcionário da Microsoft, dizia que, segundo suas fontes, o Silverlight e o WPF estariam sendo "trocados" pelo HTML 5. Por causa desses boatos, a própria Microsoft publicou um post no blog do time do Silverlight explicando o que ela imaginava ser o futuro dessa tecnologia.

Veio então o PDC, mais precisamente os keynotes de abertura do dia 28 de Outubro (aliás, se você ainda não viu, sugiro que assista, pois tanto os keynotes quanto as sessões podem ser vistas e baixadas gratuitamente pela Internet). Um dos destaques dos keynotes foi o Internet Explorer 9, a nova versão do browser da Microsoft, que encontra-se em versão beta e que, dentre suas várias novidades, um dos principais destaques é o suporte ao HTML 5, que foi bastante explorado na apresentação. Aliás, o suporte ao HTML 5 na próxima versão do Internet Explorer já era de conhecimento público, nenhuma novidade até aí. Além disso, nenhuma palavra foi dita sobre o Silverlight.

Nesse momento, algumas pessoas já começaram a questionar qual seria o papel do Silverlight nessa história, já que a Microsoft estava apoiando tão fortemente o HTML 5. O que essas pessoas não perceberam é que o HTML 5 "concorre" com o Silverlight (e também com o Flash) principalmente no que se refere à parte multimídia (por exemplo, suporte nativo a vídeos, sem a necessidade de plug-ins), mas o Silverlight é muito mais que isso. Além disso, o fato de apoiar o HTML 5 não signfica necessariamente abandonar o Silverlight. Outro ponto que poucas pessoas perceberam é que o apoio da Microsoft ao HTML 5 é mais do que natural, é algo esperado e essencial para o futuro do IE. O Internet Explorer é um browser que ficou muito tempo sem ter uma versão nova lançada (foram vários anos entre o lançamento da versão 6 e a versão 7; a partir daí, o lançamento de novas versões retomou um ritmo mais constante). Isso proporcionou o surgimento de browsers como Firefox e Chrome, que têm ganho terreno às custas do IE, que apesar de ainda ser líder, está vendo seu mercado diminuir ultimamente. É óbvio que a Microsoft está preocupada com isso e também é óbvio que ela utilize um evento como o PDC para promover a próxima versão do IE. Além disso, promover o HTML 5, pode ser um diferencial nesse mercado. Ou seja, não havia nada de errado em dar mais ênfase ao IE 9 nesse momento, pois falar de Silverlight não iria ajudar a ganhar mercado na guerra dos browsers.

No dia 29 de Outubro, a jornalista Mary Jo Foley, especializada na cobertura de assuntos da Microsoft, publicou o artigo que iria causar furor nos dias seguintes. Entitulado Microsoft: Our strategy with Silverlight has shifted, ou seja, em português, "Nossa estratégia para o Silverlight mudou", o artigo continha trechos de uma entrevista realizada no PDC com Bob Muglia, presidente da divisão de Server and Tools da Microsoft, na qual foi abordado o futuro do Silverlight. As informações ficaram um pouco vagas, não é possível entender claramente qual seria essa mudança de estratégia envolvendo o Silverlight, mas em nenhum momento foi dito que esse seria o fim da tecnologia ou que o mesmo perderia importância. O fato é que esse artigo provocou uma série de manifestações na Internet em relação ao debate Silverlight vs HTML 5. Alguns gostaram, outros ficaram confusos e raivosos, e outros tentaram enxegar de maneira mais equilibrada. Mas haveria motivo para tanto barulho? Continue lendo e tire suas conclusões. Destaco abaixo os principais pontos da entrevista:

  • "Silverlight is our development platform for Windows Phone" - traduzindo: "Silverlight é nossa plataforma de desenvolvimento para Windows Phone": ok, nenhuma novidade, todos que acompanham já sabiam disso há bastante tempo;
  • "Silverlight also has some “sweet spots” in media and line-of-business applications" - traduzindo: "Silverlight também está presente em mída e aplicações de negócios": sim, nenhuma novidade também. Como disse anteriormente, o principal ponto onde o Silverlight vai "concorrer" com o HTML 5 é em aplicações multimídia, mas o Silverlight é muito mais que isso. Já com relação às aplicações de negócios, acredito que o Silverlight (e outras tecnologias RIA, como o Flash) tenha uma grande vantagem em relação ao HTML 5, ou seja, na minha opinião, o HTML 5 não vai tornar o desenvolvimento de aplicações de negócios mais fácil ou produtivo e é aí que está o diferencial do Silverlight;
  • "When it comes to touting Silverlight as Microsoft’s vehicle for delivering a cross-platform runtime, our strategy has shifted" - traduzindo: "Quando se trata de utilizar Silverlight como um meio da Microsoft para oferecer um ambiente de execução multi-plataforma, nossa estratégia mudou": acredito que essa frase causou toda a confusão. Não ficou claro o que mudou em relação à estragégia do Silverlight. Isso fez com que as pessoas começassem a imaginar coisas e concluíram que o HTML 5 seria a única aposta da Microsoft;
  • "Silverlight will continue to be a cross-platform solution, working on a variety of operating system/browser platforms, going forward" - traduzindo: "Silverlight continuará sendo uma solução multi-plataforma, funcionando em uma varidade de sistemas operacionais/browsers, evoluindo": era uma coisa que já sabíamos e continua do jeito que está;
  • "But HTML is the only true cross platform solution for everything, including (Apple’s) iOS platform" - traduzindo: "Mas HTML é a única solução verdadeiramente multi-plataforma para tudo, incluindo a plataforma iOS da Apple": essa frase, da maneira que foi colocada, também ficou estranha. É óbvio que HTML é a solução multi-plataforma mais bem posicionada atualmente e não acho que isso irá mudar no futuro. Não há dúvida quanto a isso. Só que, do jeito que foi colocada, essa frase dá a entender que o objetivo inicial do Silverlight seria substituir o HTML. Mas isso não é verdade! Pelo menos, eu, e várias pessoas com quem eu já conversei, nunca pensei no Silverlight como sendo um substituto definitivo do HTML. O objetivo do Silverlight é fornecer um ambiente de execução multi-plataforma, que permita desenvolver aplicações ricas, que seriam muito difíceis ou impossíveis de serem desenvolvidas somente com os recursos que o HTML oferece. E com o HTML 5 isso não vai mudar, ou seja, o Silverlight (e também o Flash) também será necessário para preencher essas lacunas mesmo com o HTML 5;

Enfim, não sei se você concorda comigo, mas não há motivo para tanta controvérsia, não é? De qualquer maneira, o próprio Bob Muglia publicou um post no blog do time do Silverlight tentando diminuir a confusão.

Para finalizar, se você foi uma das pessoas que ficou preocupada se deve ou não investir no Silverlight, peas informações acima, acredito que não é preciso ter receios. O HTML 5, por melhor que seja, não vai conseguir resolver todos os problemas e oferecer os recursos que uma tecnologia RIA como o Silverlight oferece. Além disso, como você pode constatar, o Silverlight parece ter um futuro bem longo pela frente. Portanto, eu não teria esse medo.

Agitos no mercado de busca

A semana passada terminou com duas notícias que, se concretizadas, serão bombásticas para o mercado de buscas na Internet. A primeira delas, e a mais alardeada e concreta, foi a oferta da Microsoft pela compra do Yahoo! por apenas US$ 44 bilhões. Isso faz a compra do YouTube pelo Google parecer brincadeira de criança. Já fazia tempo que a Microsoft tentava ganhar participação no mercado de buscas e, principalmente, no lucrativo mercado de anúncions on-line, onde o Google impera. Apesar de ter adquirido algumas outras empresas da chamada Web 2.0, como o Flickr, o Del.icio.us e o Zimbra (que oferece ferramentas on-line para escritório - planilha, processador de texto, etc), o Yahoo! não ia muito bem financeiramente e, falando sinceramente, não tem mais o mesmo brilho que já teve um dia.

Tanto o Yahoo! quanto a Microsoft correm atrás do Google, mas não sei se a união dos dois vai trazer algum benefício muito diferente do que conseguiriam se separados. O fato de serem duas empresas gigantes e com recursos abundantes não significa que a união será um sucesso, sendo que pode mais atapalhar do que ajudar (a fusão entre a Time Warner e a AOL é um exemplo). Além disso, também se deve levar em conta a diferença cultural entre as empresas e possíveis problemas com questões antitruste - se bem que nesse último caso, se há um monopólio nesse mercado, é o Google que o tem. Tenho a impressão de que a Microsoft parece totalmente obcecada pelo Google, como se tivesse virado uma questão de honra conseguir derrotá-lo. A Microsoft já conseguiu algumas viradas históricas, mas devemos lembrar que agora Bill Gates não estará acompanhando tudo de tão perto, como acontecia antigamente. Por falar em Google, em seu blog oficial foi publicado um post no qual ele se diz preocupado com o futuro da Internet caso essa operação se confirme - claro que eles estão querendo defender seus negócios. Já começam a surgir rumores de que o Google estivesse fazendo uma outra proposta ao Yahoo!, para que o mesmo não aceitasse a da Microsoft.

A outra notícia, que acabou sendo ofuscada, refere-se ao leilão da faixa de 700 Mhz nos EUA. A maior proposta até agora é de US$ 4,7 bilhões (o leilão ainda não terminou). Crescem rumores de que seja o Google o responsável por esse lance, já que seu interesse pelo leilão é público. Atualmente, essa freqüência é utilizada para sinal de televisão, mas a partir de 2009, com a adoção total do sistema digital pelas redes de TV americanas, será utilizada para tráfego de dados, com acesso aberto sem fio para qualquer tipo de aparelho e aplicações, de qualquer operadora. Se levarmos em conta que o Google havia anunciado recentemente o Android, sua plataforma aberta para dispositivos móveis, faz sentido (imaginem o quão lucrativo seria o mercado de anúncios em dispositivos móveis).

Será interessante ver o desdobramento dessas ações nos próximos meses.

10 anos de Internet

Outro dia, lembrei-me que faz aproximadamente 10 anos que utilizo Internet constantemente. Quando ouvi falar sobre ela pela primeira vez, era mais ou menos 1995. Ainda era algo um tanto abstrato para mim e, lendo sobre o assunto em revistas especializadas, só ficava imaginando como era que isso funcionava. A Internet também era chamada de "super-rodovia da informação" (do inglês information superhighway), um termo que caiu no esquecimento. Nessa época, estava cursando o segundo grau (o equivalente ao que é agora o ensino médio) e o acesso a Internet para os "mortais" estava apenas começando no Brasil. Se eu me lembro bem, era preciso se cadastrar na Embratel para conseguir o acesso, mas era preciso uma dose de sorte. Era muito mais fácil ter acesso às BBSs, que reinavam na época.

Nesse período, também passou uma novela na Globo, que ficou marcada por dois motivos: o primeiro era o personagem do cigano Igor, pois o ator que o interpretava era extremamente ruim e depois dessa novela praticamente encerrou sua carreira. O outro motivo, que é o que nos interessa aqui, era que o casal protagonista da novela se conheceu por meio da Internet. Diria que essa novela estava a frente do seu tempo, pois os personagens se comunicavam por voz através da rede, o que para a época, era um tanto futurista, se considerarmos a velocidade de acesso e os recursos disponíveis no momento. Além disso, a rede não era conhecida popularmente.

Mas foi somente a partir de 1997, quando estava na faculdade (nossa, agora percebi que estou ficando velho), que comecei a ter contato com a Internet. Mas não pense que tínhamos computadores modernos, todos conectados a rede com banda larga. O acesso era feito a partir de um ou dois micros que ficavam na biblioteca, via linha discada, cuja velocidade deveria ser 28.8 kbps ou menos, pois era algo sofrível. Como estudava de manhã, muitas vezes ficávamos na parte da tarde para fazer algum trabalho e acabávamos indo acessar a Internet, cujo principal uso que eu e alguns amigos do curso fazíamos eram as salas de chat do UOL!

Nesse mesmo ano, comecei a acessar a Internet de casa, quando adquiri um poderoso computador Pentium 166 Mhz, com 16 MB de memória RAM, 2 GB de disco rígido e uma placa de fax/modem de 33.6 kbps, rodando o moderno Windows 95. Nessa época, já havia uma infinidade de provedores de acesso, a maioria de pequeno porte, que acabaram desaparecendo com o passar do tempo, restando poucos, todos de grande porte, como o UOL e o Terra (que na época chamava-se Zaz). Era comum encontrarmos revistas explicando o que era preciso para se conectar a rede e o passo-a-passo de como configurar o computador. Tudo era novidade. Lembro-me que o meu caso foi de paixão a primeira vista. Apesar do meu interesse por informática (e mais precisamente, desenvolvimento de sistemas) ser anterior a esse fato, o surgimento da Internet era fascinante, pois você não estava mais isolado em seu micro. Como também havia acontecido com o computador, eu não queria me limitar a ser apenas um usuário. Enxergava nisso o futuro, algo com o qual gostaria de trabalhar. Queria saber como a Internet funcionava, o que havia por trás, como que um site era montado, as ferramentas e linguagens utilizadas, etc. Foi aí que comecei a dar meus primeiros passos no HTML e JavaScript. A partir daí, começou minha jornada em busca de conhecimento, que não terminou até hoje.

Nesses 10 anos, vi muita coisa acontecer. Muitas tecnologias, produtos e serviços surgiram e desapareceram. Naquela época, o browser dominante era o Netscape Navigator. Depois veio o hoje histórico memorando de Bill Gates dando uma guinada na Microsoft em direção à Internet, a guerra dos browsers e o domínio do Internet Explorer, que continua até hoje, apesar do Opera e do Firefox. Os mecanismos de busca também sofreram mudanças. Havia vários: Excite, Lycos, Yahoo!, Altavista (esse era o meu preferido), WebCrawler, o brasileiro Cadê?, etc. Hoje, quando se fala em busca, o que vem à cabeça é Google. Os softwares de mensagem instatânea também passaram por algo parecido. Nos primórdios, para se comunicar, utilizava-se muito as salas de chat do IRC. Depois, surgiu o ICQ (cuja a pronúncia em inglês é o mesmo que I seek you, ou seja, "eu procuro você"). O símbolo do ICQ era uma florzinha que ficava ao lado do relógio do Windows e alertava quando seus amigos estavam on-line. Hoje em dia não conheço ninguém mais que utilize o ICQ, a maioria usa o MSN Messenger (ou Windows Live Messenger). Conta de e-mail grátis era com o Hotmail, que ainda não pertencia à Microsoft. Lógico que o espaço disponível não chegava nem perto dos gigabytes oferecidos atualmente. Uma dica: se quiser saber como se parecia um site antigamente, visite o Internet Archive, onde é possível consultar como era a cara de um site em determinado período.

Outros momentos que lembro ter vivenciado: surgimento da Amazon.com e do e-commerce, as home pages pessoais (antes dos blogs, todo mundo tinha que ter sua home page), a tecnologia Push, os applets Java, o Flash, DHTML e CSS, o estouro da bolha das "ponto com", os ataques "hackers" e a preocupação crescente com a segurança (ataques de DDoS - Distributed Denial of Service - praticados contra grandes sites, o worm I Love You, os cavalos de tróia BackOrifice e NetBus, o SPAM), o MP3 e seu compartilhamento através do Napster (marcando o início do fim do modelo de negócios das gravadoras), o compartilhamento de arquivos (Kazza, eDonkey, Torrent, etc), a banda larga, o VoIP (principalmente através do Skype), as redes sociais (como o Orkut), o YouTube, Blogs, RSS, AJAX, Web 2.0 e Second Life.

Olhando para trás e vendo tudo isso, percebo o quanto a minha vida foi e ainda é influenciada pela Internet. A começar da minha vida profissional, tudo seria diferente. Não consigo imaginar como seria caso ela não existisse, assim como não imagino como conseguia viver sem ela anteriormente.

E você, há quanto tempo utiliza a Internet? Como ela influenciou sua vida? Você se lembra de algum outro fato que aconteceu nesse tempo e que não foi citado aqui?

Data de lançamento do Visual Studio 2008

A Microsoft divulgou que o Visual Studio 2008 (codinome "Orcas") será lançado oficialmente no dia 27 de Fevereiro de 2008, juntamente com o Windows Server 2008 (anteriormente conhecido como "Longhorn Server") e o SQL Server 2008 (codinome "Katmai"). Vale lembrar que isso não significa que os produtos estarão disponíveis a partir desta data. Alguns podem ser disponibilizados um pouco antes e outros, um pouco depois. Essa data funciona mais como um marco, a partir do qual se notará uma divulgação mais pesada de marketing, através de eventos pelo mundo e treinamentos, por exemplo.

Esses últimos anos têm sido movimentados em relação às novidades de tecnologia, especialmente da Microsoft. Desde 2002, e já contando os lançamentos do próximo ano, tivemos quatro versões do Visual Studio .NET (2002, 2003, 2005 e 2008), duas versões do SQL Server (2005 e 2008) e duas versões do Windows Server (2003 e 2008). Podemos enxergar esses acontecimentos sob duas perspectivas: pelo lado de quem gosta de tecnologia, é um prato cheio, pois sempre há bastante conteúdo novo para aprender; por outro lado, essa quantidade de novidades acaba causando um certo desconforto e, muitas vezes, ficamos um tanto perdidos no meio disso tudo, sem saber por onde começar. Isso causa frustração, ansiedade e estresse, já que sempre estamos esperando pelo próximo lançamento, mesmo sabendo que não teremos condições de assimilar tudo o que já existe e o que está por vir.

Isso é mais ou menos comum no mundo de TI, mas percebo que o processo vem se acelerando nos últimos tempos. Vejam o caso do Silverlight, por exemplo. Existe a versão 1.0, que está em beta, e a versão 1.1, que se encontra em alpha! Não me lembro de nenhum outro caso em que o produto nem havia sido lançado e já existia uma nova versão pública dele. Talvez esse sentimento exista por causa das várias versões preliminares (CTPs e betas) que são lançadas e num espaço de tempo prolongado. No caso do Visual Studio 2008, a primeira versão CTP foi lançada em 2006, ou seja, teremos quase dois anos de versões preliminares antes da versão final. Pela quantidade de material sobre ele que vemos pela Internet, quando o produto for lançado no ano que vem, muita coisa já não será mais novidade.

Vale a pena tentar se manter atualizado com tudo isso, já que parece que nesse jogo estaremos sempre em desvantagem? Particularmente, acredito que a melhor maneira para diminuir essa sensação de impotência é não tentar conhecer tudo profundamente. É impossível! Principalmente em versões CTPs, que estão sujeitas a muitas mudanças, corremos o risco de aprender algo que irá mudar, ou pior, que pode deixar de existir. Acredito que a melhor saída para tentar manter um nível mínimo de sanidade seja ter uma visão geral sobre as novidades e, conforme a tecnologia se aproximar de uma versão mais estável e madura, aprofundar-se em tópicos de maior interesse. Assim, quando surgir uma oportunidade para utilizar determinada característica, saberei que ela existe e aí sim me aprofundarei no assunto.

E você, como lida com esse furacão de informações e novidades? Deixe seu comentário!

Sobre computadores e eletrodomésticos

Há alguns meses, ainda no meu antigo blog do theSpoke, escrevi sobre os problemas que podem surgir da tentativa de popularização dos computadores pessoais. Naquela ocasião, comentei que, apesar dos computadores estarem sendo tratados como eletrodomésticos, eles ainda estavam longe de se enquadrarem nessa categoria.

Lembrei-me disso quando achei por acaso, no site da PC Magazine brasileira, um artigo do John C. Dvorak exatamente sobre este assunto. No artigo O mito do computador como eletrodoméstico, ele explica, de uma maneira um tanto sarcástica, como já é costume em seus textos, porque o computador não pode ser considerado um eletrodoméstico. Segundo ele, o principal motivo é a complexidade e a quantidade de funcionalidades que essas máquinas adquiriram e continuam a agregar. Isso não torna os computadores ferramentas de utilização simples, como muitos gostariam que fossem.

Li o artigo e fiquei pensando como o uso de computadores poderia ser facilitado. A última grande revolução nesse sentido foi a utilização de interfaces gráficas, que de fato contribuíram bastante para a popularização dos micros. Após isso, só houve evoluções em cima do conceito. Muito ainda pode ser feito em termos de conceitos de usabilidade mas, baseado nas minhas experiências e no que vejo por aí, não sei se podemos esperar muito mais que isso. Claro, estou fazendo este prognóstico com base em meus humildes conhecimentos e na tecnologia que temos disponível hoje. Nada impede que amanhã se invente ou descubra algo revolucionário e que mude radicalmente a maneira como lidamos com essas máquinas. Mas essa hipótese muda todo o contexto e perspectiva que temos atualmente.

Uma área que há tempos é considerada promissora é a de reconhecimento de comandos por voz. Mesmo com toda evolução, ela ainda pode ser considerada precária. Também acho difícil operarmos um computador totalmente por voz algum dia. Acredito que o reconhecimento de voz será realidade no futuro, mas cuidando de operações mais simples, como operar uma TV ou geladeira, ou seja, eletrodomésticos "verdadeiros" e com funções mais bem definidas, ou então utilizando a voz para reconhecer a identidade de uma pessoa em sistemas de segurança.

O único ponto em comum entre um computador e um eletrodoméstico continuará sendo o fato de que ambos se ligam à parede por causa da  eletricidade Smile.

Google e YouTube

A maior transação dos últimos tempos envolvendo empresas .COM, a aquisição do YouTube pelo Google, pela pechincha de US$ 1,65 bilhões em ações, está dando o que falar. Estaríamos voltando ao tempo da bolha da Internet, quando empresas recém criadas conseguiam grandes investimentos de fundos de capital de risco, ansiosos pela promessa de retorno fácil e rápido na busca de "O" próximo grande site, mesmo que essas empresas não tivessem uma idéia tão original assim ou que só dessem prejuízo, valorizando-as artificialmente? Acho que não, pois os tempos são outros e não se nota uma corrida insana atrás de start-ups com potencial, como podia ser percebido no final da década de 90 do século passado.

Conseguirá o Google tornar o YouTube rentável e  ainda administrar a fúria dos defensores dos direitos autorais, que acusam o YouTube de incentivar a pirataria? Bem, não é uma tarefa muito fácil, mas digamos que com o Google dando suporte, ficando um bocado mais fácil.

Devaneios a parte, o que mais chamou minha atenção em tudo isso é que se formos analisar bem esse negócio, o que o Google adquiriu foi a comunidade do YouTube! Quem desenvolve o conteúdo desse site são as pessoas, seus próprios usuários, que acabam gerando uma comunidade em torno dele. Simples assim. O YouTube não produz um conteúdo ou produto específico, mas oferece oportunidade para que os usuários os criem e compartilhem. Isso mostra uma coisa: os usuários são cada vez mais o centro dos serviços e produtos na web. Há uma oportunidade imensa para as empresas explorarem isso, não importando se são empresas .COM ou não.

Agora, imagine se a Microsoft tivesse adquirido o YouTube, o que você acha que aconteceria? Os xiitas acusariam-na de monopólio e de querer conquistar o mundo. Mas com o Google é diferente, pois ele é uma espécie de queridinho da Internet, a salvação da humanidade contra o mal personificado pela Microsoft. Nesse aspecto, quando o Google adquire empresas que têm potencial e que podem contribuir com algum de seus produtos, ele tem adotado comportamento semelhante ao da Microsoft (tática na qual não vejo nenhum problema). Mas já tem gente especulando um possível processo do departamento de justiça dos EUA contra o Google por... monopólio! Não acredito que seja o caso. Particularmente, acho que Microsoft e Google chegaram onde estão por méritos próprios, são empresas inovadoras e competentes que, conseqüentemente, acabam conquistando mercado. Vamos ver até quando o Google consegue manter o estigma de defensor dos fracos e oprimidos. Provavelmente isso se dará até a maioria de seus defensores perceber que, como qualquer empresa, ela busca o lucro (e isso não é tão difícil de se perceber, principalmente depois desta semana). E que venha a GoogleTV!

Ricardo Oneda.

Problemas no theSpoke

Praticamente um ano após a mudança do theSpoke (que por si só gerou polêmica), muitos problemas ainda não foram resolvidos. É muito irritante ter que tentar várias vezes até conseguir abrir a tela de postagem, devido a erros do tipo "serviço indisponível". Além disso, promessas, como a possibilidade de uma área para upload de arquivos (que deveria ter ficado pronta até o final do ano passado), não foram cumpridas. Melhorias, como por exemplo, a possibilidade de alteração de skin e classificação dos posts, então, nem pensar. Se não temos nem um sistema de categorias que funciona corretamente, seria delírio imaginar o uso de tags. Enfim, o sistema é muito pouco flexível. Parece que depois da migração, o theSpoke foi abandonado.

Quando o theSpoke mudou para a versão 2.0, houve debandada de vários participantes, como o Alexandre Tarifa, o Mauro Sant'Anna e muitos outros. Depois foi a vez do Jalf. Vi que nos últimos dias mais dois participantes, o Ramon Durães e o Paleo, também anunciaram as mudanças de seus respectivos blogs. Percebam que são influenciadores que contribuem constantemente para a comunidade. Um lugar que tinha tudo para reunir a comunidade e ser um ponto de troca de conhecimento e informação está vendo seus participantes indo embora. Ainda restam alguns "heróis da resistência", mas até quando? É uma pena.

Ricardo Oneda.

Web 2.0

Web 2.0 é um termo que vem sendo bastante utilizado para definir sites/aplicações que representam um novo estágio no uso da Internet. Segundo este novo conceito, a segunda geração da web possui algumas características, como se basear em uma plataforma colaborativa, ter flexibilidade e permitir personalização, ser simples e acessível também em outras plataformas além do computador, seguir os Web Standards (padrões da Web como XHTML, CSS, etc.) e também proporcionar uma experiência mais rica para o usuário através do que tem sido chamado de RIA -  Rich Internet Applications (alguém aí pensou em AJAX?).  Exemplos de serviços desse novo paradigma são blogs, sites de wiki – onde usuários publicam e editam o conteúdo, como a Wikipedia, podcasts, BitTorrent e RSS.

Um dos criadores deste novo termo é Tim O'Reilly, da famosa editora de livros O'Reilly, que no artigo What is Web 2.0 explica um conjunto de princípios e práticas que definem esta nova geração de aplicações:

1. The Web As Platform
2. Harnessing Collective Intelligence
3. Data is the Next Intel Inside
4. End of the Software Release Cycle
5. Lightweight Programming Models
6. Software Above the Level of a Single Device
7. Rich User Experiences

Percebam o item 4. End of the Software Release Cycle. Achei interessante pois ele defende que as aplicações web estarão em uma fase beta constante em virtude da contínua adição de novos recursos, nunca chegando a uma versão final definitiva, ao contrário do que é feito em aplicações desktop. Isso já é o que o Google faz em vários de seus serviços, como o Orkut e GMail, por exemplo.

Mas não seria esta uma nova buzzword que, assim como o AJAX, estaria recebendo uma exposição exagerada, fazendo muito barulho por nada? Seria a Bolha 2.0 da Internet? Ou a Web 2.0 veio para ficar? É difícil fazer uma previsão, ainda mais em uma área na qual "tendências" surgem e desaparecem todos os dias. Devemos ficar atentos com relação ao que aparecerá sobre este assunto, para termos uma visão crítica do mesmo. Sem dúvida que aparecerão aqueles que tentarão se aproveitar dos menos informados, mas não podemos negar que há algo acontecendo (vejam a movimentação da Microsoft através do lançamento do Windows Live e também de uma versão web do Office). Existem alguns conceitos que são bem interessantes e que, na minha opinão, irão ser incorporados, mas não todos.

Alguns sites/serviços que podem ser considerados da geração Web 2.0 e que valem uma visita:

Windows Live
inetWord - um editor WYSIWYG de HTML Online
Netvibes - permite montar uma página com conteúdo personalizável
Google Maps
Writely - um processador de texto totalmente baseado em broweser e comprado recentemente pelo Google


Referências:

What is Web 2.0
Afinal, o que é a tal da Web 2.0?
Web 2.0: faça você também

Ricardo Oneda.

A supervalorização do AJAX

Se você não esteve em Marte no último ano, então já deve ter ouvido falar sobre AJAX (Asynchronous JavaScript and XML), que também atende pelos nomes de Remote Scripting ou Script Callback, uma técnica de desenvolvimento de aplicações Web que permite, basicamente, que uma página faça requisições ao servidor Web via JavaScript, sem a necessidade de atualizar a página inteira, o que pode tornar uma aplicação web mais rica, rápida, interativa e dinâmica para o usuário, deixando-a mais parecida com uma aplicação desktop, o que proporciona uma melhor usabilidade.

Mas qual o segredo do AJAX? Bem, não há segredo algum. Ele utiliza tecnologias que já estão por aí há um bom tempo, como JavaScript, DHTML, XML e XMLHttpRequest, responsável pelo envio e recebimento de dados do servidor. Na verdade, nem o uso de XMLHttpRequest é necessário, já que poderíamos obter um resultado parecido utilizando-se iframes. Como se vê, são tecnologias que qualquer desenvolvedor web que se preze conhece (ou pelo menos deveria conhecer). Assim, AJAX é mais uma arquitetura do que uma novidade.

Então, por que tanta badalação em torno desta sigla? Ao meu ver, são dois os principais motivos: o primeiro é que agora todos os browsers mais recentes (IE, FireFox, Netscape, Opera, Konqueror, Safari, etc) de todas plataformas (Windows, Unix, Mac, etc) suportam a utilização do objeto XMLHttpRequest, que originalmente foi criado pela Microsoft como um componente ActiveX e que, antigamente, era exclusivo do IE. Aliás, a Microsoft anunciou recentemente que, a partir do IE 7.0, o objeto XMLHttpRequest será exposto como um objeto de script nativo, ou seja, não será mais um controle ActiveX, o que tornará o IE mais compatível com os outros browsers. O segundo motivo é a utilização maciça que o Google vem fazendo em seus produtos (como o Google Maps, GMail e Google Suggest, entre outros), que deu uma visibilidade grande para a técnica.

O grande problema que vejo quando há muito hype em torno de alguma tecnologia nova é que a coisa foge do controle e logo começa a aparecer muita besteira sobre o assunto. Com o AJAX não poderia ser diferente e já se vê por aí o efeito negativo da superexposição. Um exemplo disso é a matéria publicada neste mês na Info Exame (sobre a qual já escrevi minha opinião em outro post), que tem o Google como matéria de capa, e cujo o título é "AJAX dá dinheiro?". A conclusão da matéria é que o AJAX ainda não é uma mina de dinheiro, mas é possível ganhar, em média, entre e 20% e 25% a mais ou, segundo um funcionário de uma consultoria, o profissional que domina o AJAX pode até mesmo dobrar seu salário! Além disso, 2006 deve deixar o mercado aquecido para os conhecedores do AJAX. E lá se vão as ovelhinhas aprender a última moda...

Percebam aí que há uma combinação explosiva: um assunto da moda, uma publicação cuja credibilidade é duvidosa, pessoas desinformadas e pronto! A besteira está feita! Será que alguém realmente acredita que o fato de "saber" AJAX (que utiliza tecnologias que um desenvolvedor web já domina há um bom tempo) irá trazer milhares de propostas de emprego e rios de dinheiro? E as empresas que procuram por especialistas em AJAX, será que realmente sabem o que essa sigla significa e sabem o que querem ou somente estão seguindo um modismo e depois de algum tempo irão perceber o quanto foram ignorantes? E as consultorias, ao invés de ajudarem seus clientes a entender o que tudo isso significa, não estariam interessadas na ignorância dos mesmos para que assim consigam "vender" mais consultores e ganhar mais dinheiro? Tudo termina da seguinte maneira: a empresa finge que sabe o que quer e se sente moderna por "estar utilizando" uma tecnologia da moda e o profissional finge que conhece e todos vivem felizes... e assim caminha a humanidade.

Não estou criticando o AJAX, e acho que o mesmo tem o seu valor e muitas das idéias que ele traz, de fato, irão contribuir para melhorar a experiência do usuário em relação às aplicações web. O que me deixa preocupado é quantidade de pessoas que não sabem o que falam.

Ricardo Oneda.

Para refletir

Não costumo colocar aqui neste espaço assuntos não técnicos, mas abro exceção quando é alguma coisa que valha a pena compartilhar e que possa trazer benefícios a todos. O trecho abaixo é de uma entrevista de um economista chamado Eduardo Giannetti, dada à Folha de S. Paulo de hoje, dia 27/11/2005, e é basicamente sobre como características da sociedade brasileira influenciam no desenvolvimento econômico e social do país.

Destaco o seguinte trecho:

Folha - Você acha que essa linha de comportamento é uma característica difusa da sociedade brasileira ou há, digamos, picos de responsabilidade no governo, nas elites e em alguns setores sociais?
Giannetti - Meu ponto básico é que os governantes não são tão diferentes do resto da sociedade, como em muitas vezes nós gostamos de acreditar. Nós os elegemos e eles nos representam porque nós os elegemos. A idéia de que o problema no Brasil são os políticos é totalmente furada. Lembro-me da época do impeachment do Collor, eu dava curso na USP. Meus alunos foram às ruas com caras pintadas exigindo ética na política e o impeachment do presidente. Quando chegou a hora da prova, esses mesmos alunos começaram a colar desavergonhadamente. Será que as pessoas não ligam as pontas? A pessoa que está colando na prova da faculdade, quando tiver a chance em Brasília, vai meter a mão no Orçamento e vai encontrar alguma racionalização para justificar para si mesmo o que está fazendo sem se sentir muito mal.

Isso explica muita coisa...

A entrevista completa pode ser lida em (para assinantes do UOL): http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2711200517.htm

Ricardo Oneda.