Tudo o que você precisa saber dos últimos eventos da Microsoft

O último mês foi muito movimentado para quem acompanha a evolução das tecnologias da plataforma Microsoft. Ousaria dizer que fazia tempo que as novidades anunciadas não causavam tanta empolgação na comunidade. Eu, pelo menos, fiquei muito empolgado com o que foi divulgado, como há tempos não ficava. Mas não se trata de um sentimento superficial, vazio, de simplesmente celebrar o novo pelo novo, de mudar para continuar como está, como muitas vezes vemos por aí. Muito pelo contrário. Dá para perceber que os anúncios feitos seguem uma coesão e alinhamento que normalmente não se via na Microsoft, famosa por disputas internas entre suas divisões de produtos, que costumavam defender seus próprios interesses, que não necessariamente era o melhor para a empresa. A ideia de One Microsoft não era brincadeira.

É possível perceber que por trás de tudo isso existe uma linha de pensamento, um direcionamento estratégico, que todos os times de produto da empresa parecem estar perseguindo. A Microsoft vem mudando nos últimos anos, mas nesse último mês chegou-se ao ápice desse processo, quando foi possível vislumbrar as peças se encaixando e muita coisa começando a fazer mais sentido. É claro que esse comprometimento com a mudança é uma questão de sobrevivência para a empresa, já que o mundo mudou muito nos últimos 15 anos, mas não deixa de ser fascinante acompanhar essa transformação. A Microsoft se deu conta que não é mais o centro da computação pessoal, como foi um dia. E que nunca mais o Windows será a única plataforma computacional utilizada pelas pessoas, e sim, mais uma das plataformas com as quais as pessoas interagem. Claro que a Microsoft prefere que o Windows seja a escolha, mas se não for, tudo bem também, pois ela pode oferecer seus serviços, sua plataforma de computação na nuvem e suas ferramentas. A Microsoft de hoje aceita e abraça a computação na nuvem, a filosofia open-source, o modelo de serviços/assinatura (ao invés do licenciamento perpétuo) e as múltiplas plataformas assim como quando, no meio dos anos 90, aceitou e abraçou a Internet. Se alguém acha que a Microsoft vai se tornar irrelevante nesse novo mundo, é bom rever os seus conceitos, pois ela está mais forte do que nunca, com uma estratégia bem definida e muito bem posicionada tecnicamente para alcançar seus objetivos.

No início de abril, ocorreu o evento Build, voltado para desenvolvedores, e em maio, o TechEd (os vídeos das palestras, tanto do Build quanto do TechEd, podem ser vistos e baixados gratuitamente no Channel 9). O que se viu foi uma avalanche de anúncios de novas tecnologias, ferramentas, funcionalidades e o roadmap para onde a Microsoft está caminhando. Listo abaixo um resumo dos principais anúncios feitos nesses eventos. Apesar de já ter se passado um certo tempo, principalmente em relação ao Build, ainda há muita coisa a ser digerida. Pretendo voltar a alguns desses temas com mais detalhes, conforme eu conseguir processar tanta informação:

  • Windows Phone 8.1: possuirá um novo modelo de desenvolvimento, baseado no WinRT (Windows Runtime) e com possibilidade de uso de C++, .NET (XAML/C#/VB.NET) ou HTML5/Javascript/CSS, como já ocorre no desenvolvimento de aplicações Windows Store (antigo Metro) no Windows 8 para PCs e tablets, tornando possível assim a unificação do modelo de desenvolvimento entre as diversas plataformas e versões do Windows! Também foi demonstrada a Cortana, o assistente pessoal digital que utiliza técnicas de inteligência artificial e machine learning, com o qual será possível interagir através de linguagem natural, falada e escrita. Todos smartphones com Windows Phone 8 receberão a atualização para Windows Phone 8.1, que deve ser liberada nas próximas semanas.
  • Windows 8.1 Update: a novidade é o Brokered Windows Runtime Components,  que permitirá aplicações Windows Store/Metro (que rodam sobre WinRT) interagirem com aplicações desktop .NET (que não rodam sobre WinRT). O objetivo é permitir maior reaproveitamento de código legado, possibilitando modernizar a camada de apresentação de uma aplicação legada sem ter que reescrevê-la totalmente. Essa é uma funcionalidade voltada para aplicações corporativas. Além disso, essa atualização traz várias melhorias para equipamentos baseados em teclado e mouse, ou seja, que não possuem touch, o que é uma grande reclamação do Windows 8. O Windows 8.1 Update já está disponível no Windows Update;
  • Windows Universal Apps: com o Windows Phone 8.1 e Windows 8.1 Update ambos baseados no WinRT, a Microsoft introduziu um novo tipo de projeto do Visual Studio chamado Windows Universal Apps, que possibilitará que a mesma aplicação rode tanto em smartphones, PCs e tablets Windows, adaptando somente a interface de cada dispositivo e reaproveitando todo o resto. No futuro, a ideia é que aplicação também possa ser executada no Xbox One;
  • Demais assuntos sobre Windows: smartphones e tablets de até 9 polegadas não precisarão mais pagar licença do Windows. Haverá uma versão do Windows para Internet das Coisas (Internet of Things) e foi feita uma demonstração da volta do menu Iniciar ao Windows, cuja retirada sempre foi motivo de polêmica, além da possibilidade de se executar aplicações Windows Store/Metro em janelas no desktop, ainda sem previsão de data;
StartMenuWindows8Novo menu Iniciar do Windows, ainda sem data para chegar

 

  • Internet Explorer 11: o engine do IE11 será o mesmo no Windows 8.1 Update e Windows Phone 8.1. Assim, o mesmo núcleo do browser rodará em PCs, tablets e smartphones;
  • Office: foi exibida brevemente a cara da nova versão do Office para Windows, otimizada para touch e reescrita em cima do WinRT. Ainda não há previsão de lançamento;
OfficeTouchForWindowsNovo PowerPoint para Windows, otimizado para touch

 

  • .NET Compiler Platform: a Microsoft está desenvolvendo um novo compilador para C# e VB.NET chamado Roslyn e o disponibilizou como open-source. A novidade é que esse compilador fornecerá uma API com a qual será possível interagir (o que a Microsoft chama de compiler as a service) e facilitará funcionalidades como análise de código, refactoring, geração de código, etc. O principal usuário disso será quem desenvolve ferramentas ou plug-ins para IDEs, como Visual Studio, além da própria Microsoft, que poderá fornecer novos recursos de maneira mais rápida. Foi feita uma demonstração no palco, na qual esse novo compilador foi utilizado em um MacBook para compilar código C# através de uma versão especial do Mono (implementação alternativa do .NET Framework). Com esse novo compilador, também foram exibidas algumas novas funcionalidades da próxima versão do C# e VB.NET;
  • .NET Native: promete combinar a performance do C++ com a produtividade do C#, permitindo compilar uma aplicação C# diretamente para código nativo e que não exigirá a presença do .NET Framework para ser executada. Nesse momento, só funciona para aplicações Windows Store/Metro, mas a ideia é expandir para outros tipos de aplicação futuramente;
  • .NET Foundation: foi criada a .NET Foundation, que será uma organização independente e responsável por fomentar o desenvolvimento e a colaboração de projetos .NET open-source, como ASP.NET MVC, ASP.NET Web API, ASP.NET Web Pages, SignalR, Entity Framework, .NET Compiler Plataform, bibliotecas da Xamarin, etc.
  • Visual Studio 2013: foi lançada uma atualização (Update 2) para o Visual Studio 2013 que possibilita as funcionalidades citadas anteriormente e muito mais. O destaque é para a integração cada vez maior com o Azure (por exemplo, criação e gerenciamento de máquinas virtuais de dentro do Visual Studio, debug remoto de aplicações hospedadas no Azure, etc), além de várias outras melhorias para desenvolvimento de aplicações web. Além disso, a Microsoft posicionou o Visual Studio como uma IDE para desenvolvimento de aplicações multiplataforma. Há outras empresas que têm feito coisas muito interessantes nesse sentido, com destaque para a Xamarin, que permite escrever aplicações nativas com C# tanto para Windows, iOS, Mac e Android. A Xamarin teve uma grande exposição nos keynotes e palestras do Build, e não me espantaria se a Microsoft a comprasse futuramente (há vários boatos circulando sobre essa possibilidade). Além disso, no TechEd, foi anunciado o suporte nativo do Visual Studio ao Apache Cordova (antigo PhoneGap), que é uma plataforma open-source muito popular para desenvolvimento de aplicações híbridas para dispositivos móveis (iOS, Android, Windows Store e Windows Phone) através de HTML, Javascript e CSS;

netinnovation

 

  • ASP.NET: o TechEd foi o evento onde foram feitos os principais anúncios envolvendo a próxima versão do ASP.NET, chamada de ASP.NET vNext. Vale lembrar que essa versão ainda encontra-se em estágio pré-alfa, ou seja, ainda é um trabalho muito inicial, sem previsão de quando estará disponível para uso em produção. A próxima versão do ASP.NET segue alguns pilares: será totalmente modularizada e flexível (será possível escolher quais módulos sua aplicação irá utilizar, ao invés de carregar todos os módulos do .NET Framework, o que permitirá menor consumo de memória e maior rapidez na inicialização e maior vazão), multiplataforma (irá executar em Windows e outras plataformas que suportem Mono, como Mac e Linux), agnóstica de servidor (a aplicação ASP.NET poderá ser hospedada no IIS ou em um self-host; a Microsoft já dava sinais de que seguiria esse modelo com os projetos OWIN e Katana, nos quais a próxima versão do ASP.NET é baseada), modelo de desenvolvimento unificado para ASP.NET MVC, ASP.NET WebAPI e ASP.NET WebPages (esses três “componentes” serão agrupados em um framework que eles chamaram de ASP.NET MVC 6), mecanismo de Injeção de Dependência nativo unificado, maior agilidade na dinâmica de desenvolvimento (não será preciso gerar DLLs, basta alterar o código no seu editor preferido e atualizar o browser, pois a compilação ocorrerá em memória, em tempo de desenvolvimento, utilizando o .NET Compiler Platform – Roslyn), substituição de arquivos de configuração baseados em XML por baseados em JSON, referências a pacotes do NuGet (e não a assemblies) e open-source (agora mantido no GitHub). Também foram anunciadas novas versões do SignalR e Entity Framework. Além disso, foi mostrada a nova versão do .NET Framework, chamada de .NET vNext Cloud Optimize (.NET otimizado para a nuvem). É versão do .NET otimizada para ser executada em servidores, suportando aplicações web e serviços, que utiliza somente os módulos necessários para esse tipo de cenário e que foi drasticamente reduzida em termos de tamanho (em torno de 10 MB), já que não contém várias bibliotecas que só fazem sentido em aplicações client, como Windows Forms e WPF. Com o .NET Cloud Optimize, não é mais necessário ter o .NET Framework instalado no servidor, já que ele poderá ser distribuído junto com a aplicação, ou seja, cada aplicação ASP.NET poderá conter uma versão customizada do .NET (somente com os módulos que interessam para a aplicação, pois cada módulo será um pacote do NuGet). Um exemplo dessa funcionalidade na prática, que foi demonstrado no TechEd, foi a execução de uma aplicação ASP.NET a partir de um pen drive em uma máquina sem o IIS e sem o .NET Framework. Você pode estar se perguntando: e o ASP.NET WebForms? Ele não irá suportar essas novas funcionalidades, pois o WebForms é dependente do System.Web, o que não permite usufruir dessas novidades. O System.Web é um assembly muito complexo e acoplado ao .NET Framework, o que dificulta as coisas. Entretanto, será possível continuar utilizando o ASP.NET WebForms, sem esses novos benefícios, mas para isso será necessário continuar instalando o .NET Framework completo.

    dotNetFuture


Em breve, pretendo citar alguns vídeos de palestras do Build e TechEd que valem a pena ser vistas.

Chrome não vai mais suportar Java e Silverlight

Até o final de 2014, o Chrome, browser do Google, deixará de suportar alguns plug-ins:

 

  • Silverlight
  • Java
  • Unity
  • Google Earth
  • Google Talk
  • Facebook Video

 

A justificativa é que esses plug-ins são baseados em uma tecnologia ultrapassada (NPAPI – Netscape Plug-In API), da década de 90, quando os recursos oferecidos pelos browsers para desenvolvimento de aplicações web ainda eram muito limitados, que é um cenário bem diferente do que temos atualmente. Além disso, o crescimento do uso de dispositivos móveis, que não suportam esse tipo de tecnologia, também contribuiu bastante para a decisão. Enfim, esse é mais um passo na direção de uso de tecnologias puramente web.

 

O curioso é que, segundo estatísticas do Google, o Silverlight foi utilizado em 15% das páginas acessadas pelo Chrome no último mês, enquanto que o Java aparece com 8,9%. Sinceramente, achava que o Java fosse mais popular.

 

Vale lembrar que essa mudança não afetará conteúdos em PDF e nem Flash, pois eles foram “embutidos” dentro do Chrome e já não necessitam do uso de plug-ins.

Dica: Diminuindo o tempo de carregamento de uma página web através do download paralelo de arquivos

Na semana passada, o Cleber Dantas publicou em seu blog um post com uma dica bem interessante sobre o uso de cookie-free domains. Basicamente, a idéia é armazenar arquivos estáticos do site, como imagens, arquivos CSS e JavaScript, que não precisam ter acesso aos cookies, em um subdomínio diferente do site principal. Assim, quando o browser fizer as requisições desses arquivos, os cookies não serão trafegados e, consequentemente, economizaremos no consumo de banda de rede, tornando o processo mais rápido.

Além da vantagem citada no artigo do Cleber, essa abordagem possibilita outro ganho, que é paralelizar o download de arquivos que compõem uma página HTML, tornando seu carregamento mais rápido. O protocolo HTTP 1.1 especifica que os browsers devem permitir duas conexões concorrentes por hostname, no máximo. Ou seja, segundo a especificação, os browsers só poderiam fazer download de dois arquivos simultaneamente de um mesmo hostname. Apesar dessa especificação, a maioria dos browsers mais recentes estabelece valores padrões maiores para o número máximo de conexões e podem ser configurados para outros valores. De qualquer modo, existe um limite. Como uma página HTML normalmente é composta por mais arquivos (considere os arquivos de imagem, CSS, JavaScript, etc), se essa página e todos os recursos que a compõem estiverem em um mesmo hostname, quando se atinge esse limite de requisições simultâneas, o browser enfilera as requisições pendentes até que alguma requisição executada anteriormente termine, e assim possa realizar as demais requisições de forma sequencial.

Ao distribuirmos os arquivos estáticos em múltiplos subdomínios, o limite de conexões simultâneas do browser será aplicado a cada subdomínio, ou seja, se antes uma página e seus elementos ficavam armazenados em somente um hostname e o browser limitava a N conexões simultâneas, com o uso dessa técnica o número de requisições possíveis simultâneas passa a ser N multiplicado pelo número de subdomínios utilizados. Isso torna possível que mais arquivos sejam baixados em paralelo pelo browser, diminuindo assim a fila de requisições de arquivos e o tempo para carregamento da página e de todos seus recursos.

Apesar do ganho poder ser grande, deve-se tomar cuidado com o uso exagerado de subdomínios, pois múltiplas conexões concorrentes aumentam o uso de CPU pelo browser, além de ser necessário estabelecer uma conexão TCP com cada subdomínio e resolver seu nome por DNS, o que pode causar o efeito oposto ao desejado, ou seja, fazer com que a página demore mais para carregar. O número ideal depende de vários fatores e características do site, mas estudos mostram que um número entre 2 e 4 subdomínios é o indicado. Mais informações sobre os ganhos e cuidados com o uso dessa abordagem podem ser encontradas nos links de referência a seguir:

 

Internet Explorer 9 Beta

No último dia 15, a Microsoft lançou a versão Beta do Internet Explorer 9, cujo download já pode se feito. Essa versão traz várias novidades, como maior compatibilidade com os padrões web, suporte a CSS3 e HTML5, aceleração por hardware, um novo engine JavaScript (chamado de Chakra) que é muito mais rápido que o anterior e a grande alteração na interface de usuário. Nessa versão, a interface do IE ficou bem minimalista (influência do Chrome?) e deixa bastante espaço para as páginas que estão sendo exibidas. E finalmente, na nona versão, o browser da Microsoft ganhou um gerenciador de downloads! Se você ficou interessado, faça o download hoje mesmo. Só lembrando que essa versão não é compatível com Windows XP.

Novidades do MIX 10

Na semana que passou, aconteceu em Las Vegas, EUA, o evento MIX. Ao lado do PDC e do TechED, o MIX compõe a trinca de eventos principais da Microsoft e, apesar de nunca ter ido a nenhuma edição, na minha opinião, acaba sendo o evento mais interessante, pois é uma conferência para desenvolvedores e designers e também porque é nele que os anúncios mais legais têm sido feitos.

Ao contrário do PDC 09, quando tive oportunidade de acompanhar o evento in loco em Los Angeles, acompanhei o MIX aqui mesmo do Brasil. Aliás, os vídeos das palestras do MIX, como se tornou costume, já estão disponíveis gratuitamente para download. Ou seja, mesmo para aqueles que, como eu, não puderam acompanhar o evento ao vivo, não há desculpa para dizer que não sabe o que aconteceu por lá.

O grande assunto do MIX 10 foi a divulgação da plataforma de desenvolvimento para o Windows Phone 7, o novo sistema operacional da Microsoft para telefones celulares, que tem recebido muitos elogios, apesar dele só chegar no segundo semestre de 2010. O desenvolvimento de aplicações para o Windows Phone 7 será feito através do Silverlight e do XNA Framework. Assim, os desenvolvedores poderão reaproveitar todo o conhecimento que já possuem nessas plataformas para criar aplicações para celulares. Também foram disponibilizadas versões CTPs de ferramentas de desenvolvimento para o Windows Phone 7 que se integram com o Visual Studio 2010 e Expression Blend 4, além de uma versão da família Express do Visual Studio (que é gratuita) voltada para esse ambiente.

Dessa forma, o Silverlight passa a ser uma peça ainda mais fundamental na estratégia de plataforma de desenvolvimento da Microsoft. Além de possibilitar a criação de aplicações RIA que rodam no browser (e também fora dele, através do recurso Out-Of-Browser), agora a mesma plataforma será utilizada para desenvolvimento de aplicativos móveis. Por falar em Silverlight, também foi divulgado o market share do produto, que passou de 45% na época do PDC, em novembro de 2009, para 60% agora em março de 2010. Ou seja, 60% das máquinas que acessam a Internet já possuem o plug-in do Silverlight instalado, o que é um crescimento impressionante, considerando o curto tempo de vida que essa tecnologia tem.

Outro assunto aguardado e comentado foi o Internet Explorer 9. Foi disponibilizada para download uma prévia do que teremos na próxima versão do browser da Microsoft. Que fique bem claro: ainda não se trata de uma versão beta que pode ser utilizada para uso diário, mas sim uma prévia voltada para desenvolvedores, cujo objetivo é demonstrar as melhorias na renderização das páginas, o novo engine para javascript (que passa a utilizar um dos núcleos de processadores com vários núcleos para compilar o código javascript e, consequentemente, ganhar velocidade) e na aderência aos padrões web. A Microsoft promete atualizar essa versão prévia em curtos intervalos de tempo (a cada oito semanas), até disponibilizar uma versão beta mais próxima da versão final, voltada para um público menos técnico.

Outro anúncio feito durante o MIX 10 foi a liberação da versão Release Candidate do Silverlight 4 e do WCF RIA Services. Essa é a última versão antes do lançamento da versão final, que deve ocorrer em breve.

Internet Explorer 8 lançado

 

Nesta semana, nos Estados Unidos, está acontecendo o evento MIX 2009, voltado para tecnologias Web da Microsoft. Aliás, as apresentações podem ser acompanhadas através do site http://live.visitmix.com/. Dentre a enxurrada de lançamentos que está ocorrendo, a versão final do Internet Explorer 8 foi anunciada e já está disponível para download.

Caso não saiba o que o IE 8 tem de novo, você pode assistir ao screencast que gravei ou então ler o post sobre a versão beta 2. Após instalar o IE 8, sugiro também que passe no site http://ieaddons.com/, no qual é possível encontrar vários add-ons, accelerators e web slices que estendem as funcionalidades do browser.

A história da Internet - a guerra dos browsers

Com o lançamento das versões beta do Internet Explorer 8 e do Google Chrome, além, é claro, do Firefox 3, muitos já vislumbram uma nova edição da guerra dos browsers, que ocorreu primeiramente entre IE e Nestacape Navigator. O Discovery Channel fez um documentário dividido em várias partes que conta sobre a história da Internet e, coincidentemente, o primeiro episódio é justamente sobre a guerra dos browsers. Você pode ver a versão dublada em português abaixo ou no site da Discovery Brasil (se quiser, também pode acessar o site americano da Discovery)

O único ponto falho, na minha opinião, é que explicaram o derrocada da Netscape como sendo fruto única e exclusivamente do domínio que a Microsoft tinha através do Windows. O mais correto seria contar também que a versão 4 do Nestcape era muito ruim e o IE 4 era muito superior, como eu já disse há um bom tempo. De qualquer maneira, é um ótimo documentário que retrata bem a época e as transformações que a Internet trouxe, com todos os impactos, interesses e guerra de egos que aconteceram.

Google Chrome: definitivamente, a Mozilla deve ficar preocupada

Dois dias após ter publicado aqui no blog um post sobre o Internet Explorer 8 e o porquê dele ser uma ameça ao Firefox, hoje fui atingido por uma notícia bombástica, pelo menos para mim, que foi o anúncio do Google Chrome, o browser do Google, que também encontra-se em beta. A estratégia de divulgação usada pelo Google foi bem interessante, utilizando uma história em quadrinhos para demonstrar as características de seu novo produto. O formato ficou muito bom e o conteúdo foi explicado de forma bem didática. Recomendo fortemente sua leitura, se você quiser saber mais detalhes de como funciona o novo browser.

Instalei o novo browser e naveguei por alguns sites. Ele é bem rápido e tem uma interface bem limpa, o que é uma característica do Google, que procura oferecer somente aquilo que é extritamente necessário. Se você espera encontrar grandes novidades, poderá se decepcionar. Muitas das funcionalidades, como filtro anti-phishing, isolamento das tabs fazendo com que em caso de problemas os mesmos não afetem todo o browser, e maior privacidade através de navegação sem rastros, ou já existiam no Firefox ou vão existir no Internet Explorer 8. Novidade mesmo são as miniaturas das páginas mais acessadas que são mostradas quando uma nova tab é aberta, uma espécie de task manager do browser que permite gerenciar as tabs e plug-ins que estão sendo executados no momento e um novo engine javascript que promete aumentar a velocidade em que os códigos nessa linguagem são executados. Enfim, como o Daniel comentou no último post, nada radicalmente novo...

E como fica o Firefox? Afinal, não podemos nos esquecer que a página inicial padrão do Firefox é o site do Google e parecia haver um bom relacionamento entre ambos. Por que, ao invés de criar um novo browser, o Google simplesmente não contribuiu diretamente com melhorias para o Firefox? Oficialmente, o respeito e a pareceria vão continuar. Entretanto, analisando a situação, vejo que o Firefox pode ser o maior prejudicado nessa história toda, pois as pessoas mais propensas a adotarem o Chrome serão aquelas que já utilizam algum browser alternativo, que na maior parte das vezes é o Firefox. Quanto ao IE, talvez perca mais um pouco de participação de mercado, mas não acredito que seja uma perda a ponto de colocar em risco sua hegemonia. Mas isso só o tempo dirá. Como o próprio pessoal do Google disse, essa versão do browser ainda está muito longe de estar terminada e claro que o Google não pode ser subestimado.

Internet Explorer 8 Beta 2: porque a Mozilla deve ficar preocupada

No último dia 27/08, a versão beta 2 do Internet Explorer 8 foi lançada. Se no beta 1 o público-alvo eram os desenvolvedores (assista ao OnedaCast sobre o Internet Explorer 8 Beta 1), no beta 2 o foco é direcionado para os usuários finais. São muitas as novidades, algumas simples, mas muito úteis. Arrisco a dizer que agora o Firefox poderá enfrentar uma situação a qual não está acostumado nos últimos anos, que é perder participação de mercado. Os destaques são:

  • tabs agrupadas por cores;
  • se alguma página causar um erro muito grave, somente a tab em que o erro ocorreu será afetada, ou seja, as outras tabs continuam abertas e funcionando;
  • mais facilidades em reabrir tabs fechadas anteriormente ou até uma sessão inteira do browser;
  • barra de endereços mais inteligente ao digitarmos a URL;
  • busca incremental na página, que vai destacando as palavras a medida que se digita, como já existia no Firefox (até que enfim!);
  • busca visual;
  • as Activities passaram a se chamar Accelerators;
  • botão de compatibilidade, que permite a um site não adaptado para os padrões de compatibilidade do IE 8 ser visto como no IE 7. Esse modo de compatibilidade funciona somente para os sites marcados como tal, e não para qualquer site visitado, como acontecia no beta 1. Além disso, não é mais necessário fechar e abrir o browser para a alteração ser efetivada;
  • Privacidade: duas novas funcionalidades permitem melhor controle sobre os rastros que deixamos no computador quando navegamos pela internet. O InPrivate Browsing faz com que nenhuma informação dos sites visitados fique armazenada: não são criadas entradas no histórico e o cache e cookies são apagados quando o browser é fechado. É como se fosse criada uma espécie de máquina virtual para o browser, que deixa de existir quando fechamos o navegador. Já o InPrivate Blocking atua quando visitamos um site que utiliza algum recurso de outros sites, impedindo que informações sejam transferidas para esses sites. Isso é muito utilizado em sites de anúncios, que podem rastrear nossos comportamentos na web e construir um perfil detalhado de cada um baseado no histórico de visitas.
  • SmartScreen Filter: uma evolução do Phishing Filter, protengendo os usuários também de sites conhecidos por distribuir malwares;
  • filtro anti-XSS - Cross-Site Scripting: o browser identifica um ataque desse tipo e evita que o mesmo aconteça. Assim, mesmo que a aplicação rodando no servidor seja vulnerável, o usuário não é afetado;

A Microsoft praticamente foi obrigada a lançar o IE 7, já que estava perdendo espaço para o Firefox e fazia muitos anos que não atualizava seu browser. Assim, as novidades já não eram tão novas assim, pois muitas das funcionalidades do IE 7, como navegação por tabs e caixa de busca integrada à janela do browser, já eram realidades há muito tempo para o Firefox. Agora, a situação é diferente. A Microsoft parece que aprendeu com os erros passados (principalmente em não deixar muito tempo transcorrer entre uma versão e outra) e trouxe uma série de novas funcionalidades úteis e que podem fazer com que o Firefox tenha que correr atrás para também implementar em seu browser.

Lembro que por se tratar de uma versão beta, não é recomedado instalá-la em um computador usado no dia-a-dia, pois problemas e incompatibilidades podem surgir. Até o lançamento da versão final, provavelmente até o final do ano, não está prevista a inclusão de nenhuma outra novidade, ou seja, até lá só serão feitas correções de bugs.

Safari no Windows

A Apple anunciou que o browser Safari irá ganhar uma versão para Windows, cujo beta já está disponível (e por incrível que pareça, já encontraram falhas de segurança nele). Seria essa, ao lado do Firefox, mais uma ameaça para o reinado do IE? Não acredito. Aliás, acho que o Safari irá disputar mercado mais diretamente com o Firefox. Qual seria a verdadeira razão por trás dessa decisão da Apple?

Muito tem se especulado em relação a isso. Alguns dizem que é conseqüência natural, já que os Macs com processadores Intel podem rodar Windows. Assim, a Apple tentaria ganhar terreno no mundo Microsoft. Outros argumentam que o verdadeiro motivo por trás desse anúncio tem a ver com o iPhone, o telefone da Apple que será lançado em breve. Em um primeiro momento, pode parecer estranho, mas faz muito sentido. Os aplicativos que irão rodar no iPhone irão utilizar o engine do Safari. Entretanto, o número de pessoas (e principalmente, desenvolvedores) que possuem um Mac é muito menor que o número de usuários Windows. Desenvolvendo uma versão do Safari para Windows, a Apple não está limitando o desenvolvimento de aplicações iPhone somente a quem tem um Mac ou um próprio iPhone, o que aumenta significativamente as chances de aplicações inovadoras serem desenvolvidas. Basta que a Apple garanta que o Safari que irá rodar no Windows se comporte da mesma maneira que o Safari do Mac OS ou do iPhone.