Silverlight 2 e ASP.NET MVC Framework Beta

A semana que passou foi de lançamentos:

  • Silverlight 2: a versão que permite o desenvolvimento de aplicações RIA e a execução de código gerenciado no browser foi oficialmente lançada. Além de ser possível programar em C#, VB.NET ou outra linguagem .NET, o mais interessante é a possibilidade de rodar a mesma aplicação em browsers e plataformas distintas. Ou seja, não é obrigatório o uso do Internet Explorer e nem do Windows! Para desenvolver aplicações com o Silverlight 2, é necessário o Visual Studio 2008 ou o Visual Web Developer 2008 Express com SP1, que é gratuito. Mais informações de como proceder, podem ser encontradas no site oficial do Silverlight. A maior novidade, entretanto, foi o anúncio de que agora também é possível desenvolver aplicações Silverlight 2 com o Eclipse, que é uma IDE (equivalente ao Visual Studio) open-source, muito utilizada pela comunidade Java. Visitem o site Eclipse tools for Silverlight para conhecer melhor o projeto.
  • ASP.NET MVC Beta: até semana passada, as versões do ASP.NET MVC Framework ainda eram previews. Nessa semana, foi lançada a primeira versão beta. Nela, já foram incluídas as bibliotes do jQuery, como havia sido prometido. Para desenvolver aplicações com o ASP.NET MVC Framework, também é preciso o Visual Studio 2008 ou o gratuito Visual Web Developer 2008 Express com SP1. Aproveito para reforçar um alerta: li em alguns lugares que o ASP.NET MVC Framework seria um substituto do modelo WebForms. Nada mais incorreto! Já escrevi e disse isso várias vezes, mas vale a pena repetir: o modelo WebForms continuará existindo e evoluindo. O ASP.NET MVC Framework será uma alternativa, mas sua adoção não será obrigatória. Scott Hanselman, um dos envolvidos no projeto, disse no MVP Global Summit e também já escreveu em seu blog que acredita que o novo modelo será utilizado em 5% dos sites feitos em ASP.NET, ou seja, a própria Microsoft sabe que o MVC Framework será um produto mais específico e voltado para aqueles que não gostam ou não querem as facilidades do modelo WebForms e que procuram maior controle e testabilidade em suas aplicações web.

Windows 7

Enquanto aqui no Brasil o pessoal aguarda o Tech-Ed, que acontece nessa semana em São Paulo, nos EUA a expectativa é pelo Professional Developers Conference - PDC 2008, que acontecerá em Los Angeles no final de outubro. O PDC é um evento diferente do Tech-Ed no sentido de que não possui uma periodicidade definida (o último ocorreu em 2005) e é voltado para tecnologias que a Microsoft planeja lançar no futuro.

Nessa edição, a grande atração será, sem dúvida, o Windows 7, o substituto do Windows Vista, que será mostrado oficialmente pela primeira vez. Quem participar do evento receberá, inclusive, uma versão pré-beta do novo sistema operacional (além de um HD USB de 160 GB com o conteúdo de todas as palestras!).

O Windows 7 está cercado de um certo mistério. Ao contrário do Windows Vista, a Microsoft tem sido mais cautelosa na divulgação de informações a respeito dessa nova versão, para evitar erros cometidos no passado e a formação de falsas expectativas. O pouco que sabemos é que será baseado no Windows Vista (ou seja, compatibilidade total) e rodará no mesmo hardware suportado por este. A idéia é que a migração do Vista para o Windows 7 seja a mais tranqüila possível. Outras informações estão sendo divulgadas aos poucos (e superficialmente) no blog criado para o novo sistema operacional, Engineering Windows 7. Versões preliminares começaram a ser distribuídas há algum tempo para poucas pessoas selecionadas avaliarem. Imagens das telas dessa nova versão acabaram vazando para a Internet e o que podemos perceber é uma semelhança muito grande com o Vista e algumas pequenas novidades, como a interface do tipo Ribbon do Office 2007 aplicada no Wordpad e Paint, e uma calculadora repaginada. Claro que deve haver muitas outras novidades, mas teremos que aguardar até o final do mês para descobrir.

Ainda jQuery e ASP.NET

No meu último post, escrevi sobre o jQuery passar a fazer parte do ASP.NET. Relendo-o agora, percebi que talvez não tenha sido claro o suficiente e achei que valeria a pena explicar quais os benefícios desse movimento por parte da Microsoft. O que importa não é que o jQuery poderá ser usado com o ASP.NET - isso já era possível antes, e não somente para o jQuery, mas também para outras bibliotecas javascript. A grande diferença é que agora ele fará parte do ASP.NET e do Visual Studio, e isso significa que a Microsoft dará suporte a ele na abertura de chamados de seus clientes. Isso é importante, pois é uma empresa dando suporte a um projeto open-source. Vocês devem conhecer, ou pelo menos ter ouvido falar, de casos de empresas que hesitam em adotar projetos open-source em seus projetos por falta de suporte oficial, com medo de serem deixadas na mão em caso de problemas. Os mais puristas e defensores do código aberto poderiam argumentar que não há falta de suporte, pois existe uma comunidade por trás do projeto, sempre disposta a ajudar quem precisasse. O fato é que as empresas não costumam acreditar nesse tipo de ideologia (não estou dizendo que seja certo ou errado, só estou fazendo uma constatação).

Nesse tipo de situação, havia duas alternativas: aguardar a Microsoft desenvolver um projeto equivalente à alternativa open-source, para utilizar algo que poderia ser chamado de oficial, ou então assumir os riscos e utilizá-lo mesmo sem o suporte (claro, a empresa também poderia escolher não usar o projeto ou então desenvolver uma solução proprietária). Supondo que a primeira alternativa seja a escolhida e que a Microsoft efetivamente lançasse um produto equivalente ao projeto open-source, o mesmo poderia deixar de existir, pois as empresas poderiam preferir a solução oficial (vejam o que aconteceu com os projetos de AJAX para ASP.NET quando a Microsoft lançou o ASP.NET AJAX). Para as empresas clientes da Microsoft, essa seria a situação ideal, pois contariam com um produto oficial e com suporte garantido. Já para a comunidade open-source, esse seria mais um passo da Microsoft para dominar o mundo, que estaria usando sua força e poder para varrer seus concorrentes do mapa. Difícil agradar a todos...

Assim, ao adotar o jQuery como parte de sua plataforma, a Microsoft admite usar um produto de boa qualidade mesmo que não tenha sido desenvolvido por ela, fazendo com ele não deixe de existir e nem deixe de ser open-source (outras plataformas não-Microsoft continuarão a usufruir de seus benefícios, afinal, o jQuery não foi vendido). Além disso, as empresas clientes da Microsoft ganham confiança na solução, pois sabem a quem recorrer se encontrarem algum problema.