jQuery e ASP.NET

Não sei quanto a vocês, mas para mim, uma das coisas mais chatas que existem é escrever código javascript para rodar em páginas web. Pode ser que esse trauma tenha surgido quanto tive meus primeiros contatos com o desenvolvimento de aplicações web, nos primórdios da Internet. Eram vários os problemas: faltava um ambiente de desenvolvimento decente (Notepad na cabeça), havia dificuldades em debugar o código, muitos dos códigos não funcionavam da maneira esperada em todos os browsers, isso sem falar na complexidade em se fazer coisas que deveriam ser simples, o que acarretava em falta de produtividade.

Muita coisa mudou de lá para cá: o Visual Studio melhorou muito o suporte a javascript (além disso, surgiram outros editores como o Aptana Studio), o processo de debug foi facilitado (inclusive, no Internet Explorer 8 será possível debugar código javascript; isso sem falar no Firebug, uma extensão para Firefox que já existe há muito tempo e é uma mão na roda para os desenvolvedores web) e até a interoperabilidade entre os browsers melhorou (um pouco, mas melhorou). Mesmo com essa evolução, até hoje, eu sinto calafrios quando ouço falar em fazer algo muito complexo em javascript.

Nos últimos tempos, com a onda da Web 2.0 e do AJAX, surgiram muitas bibliotecas para facilitar e aumentar a produtividade no desenvolvimento de código javascript. Entre as mais famosas, posso citar o Dojo, Prototype, Ext JS, Script.aculo.us, Yahoo! UI Library e jQuery. A grande vantagem do uso dessas bibliotecas é que elas abstraem muitos aspectos de baixo nível (como por exemplo, fazer um tratamento específico para determinada versão de browser), permitindo que nosso foco esteja na resolução do problema e não em detalhes que não deveriam consumir nosso tempo.

Assim, é com bons olhos que vejo o anúncio da Microsoft em adotar o jQuery, que é open-source, no ASP.NET. Para quê reinventar a roda quando já há uma biblioteca elogiada e consagrada? Meu palpite é que o principal beneficiado dessa integração seja o ASP.NET MVC Framework, pois nesse modelo, o desenvolvedor tem muito mais contato com HTML/HTTP e o uso de javascript é mais explícito e intensivo, o que normalmente não ocorre com o modelo WebForms. Isso não quer dizer que quem desenvolve utilizando WebForms não poderá se beneficiar, afinal de contas, apesar de nesse modelo de desenvolvimento o ASP.NET fazer o trabalho sujo pelo desenvolvedor, o resultado final gerado ainda é HTML e muitas coisas só são possíveis com javascript.

A história da Internet - a guerra dos browsers

Com o lançamento das versões beta do Internet Explorer 8 e do Google Chrome, além, é claro, do Firefox 3, muitos já vislumbram uma nova edição da guerra dos browsers, que ocorreu primeiramente entre IE e Nestacape Navigator. O Discovery Channel fez um documentário dividido em várias partes que conta sobre a história da Internet e, coincidentemente, o primeiro episódio é justamente sobre a guerra dos browsers. Você pode ver a versão dublada em português abaixo ou no site da Discovery Brasil (se quiser, também pode acessar o site americano da Discovery)

O único ponto falho, na minha opinião, é que explicaram o derrocada da Netscape como sendo fruto única e exclusivamente do domínio que a Microsoft tinha através do Windows. O mais correto seria contar também que a versão 4 do Nestcape era muito ruim e o IE 4 era muito superior, como eu já disse há um bom tempo. De qualquer maneira, é um ótimo documentário que retrata bem a época e as transformações que a Internet trouxe, com todos os impactos, interesses e guerra de egos que aconteceram.

Google Chrome: definitivamente, a Mozilla deve ficar preocupada

Dois dias após ter publicado aqui no blog um post sobre o Internet Explorer 8 e o porquê dele ser uma ameça ao Firefox, hoje fui atingido por uma notícia bombástica, pelo menos para mim, que foi o anúncio do Google Chrome, o browser do Google, que também encontra-se em beta. A estratégia de divulgação usada pelo Google foi bem interessante, utilizando uma história em quadrinhos para demonstrar as características de seu novo produto. O formato ficou muito bom e o conteúdo foi explicado de forma bem didática. Recomendo fortemente sua leitura, se você quiser saber mais detalhes de como funciona o novo browser.

Instalei o novo browser e naveguei por alguns sites. Ele é bem rápido e tem uma interface bem limpa, o que é uma característica do Google, que procura oferecer somente aquilo que é extritamente necessário. Se você espera encontrar grandes novidades, poderá se decepcionar. Muitas das funcionalidades, como filtro anti-phishing, isolamento das tabs fazendo com que em caso de problemas os mesmos não afetem todo o browser, e maior privacidade através de navegação sem rastros, ou já existiam no Firefox ou vão existir no Internet Explorer 8. Novidade mesmo são as miniaturas das páginas mais acessadas que são mostradas quando uma nova tab é aberta, uma espécie de task manager do browser que permite gerenciar as tabs e plug-ins que estão sendo executados no momento e um novo engine javascript que promete aumentar a velocidade em que os códigos nessa linguagem são executados. Enfim, como o Daniel comentou no último post, nada radicalmente novo...

E como fica o Firefox? Afinal, não podemos nos esquecer que a página inicial padrão do Firefox é o site do Google e parecia haver um bom relacionamento entre ambos. Por que, ao invés de criar um novo browser, o Google simplesmente não contribuiu diretamente com melhorias para o Firefox? Oficialmente, o respeito e a pareceria vão continuar. Entretanto, analisando a situação, vejo que o Firefox pode ser o maior prejudicado nessa história toda, pois as pessoas mais propensas a adotarem o Chrome serão aquelas que já utilizam algum browser alternativo, que na maior parte das vezes é o Firefox. Quanto ao IE, talvez perca mais um pouco de participação de mercado, mas não acredito que seja uma perda a ponto de colocar em risco sua hegemonia. Mas isso só o tempo dirá. Como o próprio pessoal do Google disse, essa versão do browser ainda está muito longe de estar terminada e claro que o Google não pode ser subestimado.